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Por que “vermelho” é tão diferente em outras línguas (red, rouge, rojo etc.)?

O nosso "vermelho" vem do latim vermiculus, diminutivo de vermis ("verme"). Essa palavra também existe em inglês, francês etc., mas não é muito comum: vermillion.

Por Bruno Vaiano 18 fev 2021, 10h37

A maioria das línguas europeias – há algumas poucas exceções, como o basco e o finlandês – são descendentes do idioma protoindo-europeu (PIE), falado por uma etnia de cavaleiros que dominou as estepes da Rússia e se espalhou pela Eurásia 3 mil anos atrás. Eles lembravam muito os Dothraki de Game of Thrones.

Em PIE, vermelho se dizia *reudh. Essa palavra deu origem a rouge, red, rojo e, como já dá para imaginar, “roxo” e “rubro” em português. Já o nosso “vermelho” vem do latim vermiculus, diminutivo de vermis (que significa, é claro, “verme”). Essa palavra também existe em inglês, francês etc. – mas se limita à boca de designers e artistas, e não é parte do vocabulário corrente: vermillion.

A explicação é que, na Antiguidade, a única maneira de se obter pigmento vermelho era esmagando um minúsculo inseto chamado cochonilha – cujo nome científico atual, não por coincidência, é Kermes vermilio. “Mas Oráculo”, você dirá, “inseto e verme são coisas diferentes”. Pois é, explique isso para os romanos: não existiam biólogos naquela época, e qualquer bichinho pequeno e abjeto acabava chamado de “verme”, sem muitas preocupações taxonômicas.

Sabemos que Camões, na época das Grandes Navegações, ainda usava roxo com o significado de vermelho: um de seus versos se refere à cor “roxo-sangue”; outro usa o nome para se referir à cor das flores de cravo. Mas o uso parece ter uma carga poética proposital, pois um dicionário da mesma época já indicavam o vocábulo “vermelho” em uso corrente.

#OráculoSuper

*As palavras em protoindo-europeu são reconstituições feitas pelos linguistas. A etnia que falou esse idioma extinto não desenvolveu um sistema de escrita – e, portanto, não deixou registros. É por isso que toda palavra em PIE vem acompanhada de um asterisco. Pergunta de @maiolidaniel, via Instagram

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