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Escravidão

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
26 Maio 2012, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h21
  • José Francisco Botelho

    Erro – Privar pessoas da liberdade, transformá-las em mercadoria e submetê-las a castigos para forçá-las ao trabalho

    Quem – Diferentes civilizações e etnias.

    Quando – Surge com as primeiras civilizações, mas o fenômeno é agravado com o tráfico transatlântico entre os séculos 15 e 19.

    Consequências – Mortes e imposição de condições subumanas para forçar ao trabalho cerca de 12 milhões de pessoas só na rota que levava negros da África para as Américas.

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    Não existe argumento capaz de justificar a escravidão do ponto de vista ético ou moral. Há indícios de que ela é praticada desde as primeiras civilizações. E, apesar da abolição internacional, sobrevive como prática ilegal que submete suas vítimas a abusos não tão diferentes daqueles dos feitores que açoitavam a mercadoria embarcada nos navios negreiros. Entre os séculos 15 e 19, até a onda abolicionista, de 10 a 12,5 milhões de pessoas foram trazidas da África para as Américas em condições precárias. Tão precárias que a metade dos escravos embarcados chegava morta ao destino. O trabalho forçado era só parte de suas agruras. Transformados na prática em objetos, perdiam família, raízes e eram submetidos a castigos medonhos. Mas a escravidão e o tráfico internacional que a abastecia trouxeram também prejuízos econômicos para quem os cometeu. O economista Adam Smith já advertia em A Riqueza das Nações: “a escravidão é contraproducente, pois homens livres trabalham mais e melhor”.

     

     

    Pior no Brasil

    Muitos problemas econômicos que ainda hoje assolam a América Latina são frutos desse tráfico. A escravidão era regra em todas as colônias da região. Nos territórios controlados pela Espanha, os escravos foram libertados logo depois da independência, início do século 19. No Brasil, porém, só em 1888 (foi a última nação a fazê-lo). E nenhum outro lugar tinha recebido tantos escravos quanto aqui – cerca de 4 milhões. Quando finalmente decidiu acabar com a prática, o Brasil o fez de maneira desajeitada.

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    O imperador dom Pedro 2o e a Princesa Isabel até pretendiam distribuir terras entre os recém-libertados. Mas o plano foi sabotado pela proclamação da República em 1889. Expulsos das fazendas, os ex-escravos foram se aglutinando à margem das zonas urbanas. Sem estudo, profissão e auxílio, saíram da chibata para cair no desemprego.

    Hoje, quem compara a situação do Brasil com a de ex-colônias britânicas no Caribe leva um susto. Nas Antilhas, a lei de abolição determinava que escravos libertados deveriam seguir trabalhando em troca de salário nas propriedades dos ex-senhores por 4 anos. Com o dinheiro, compraram terras, abriram negócios. Em vez de desempregados, viraram consumidores. Na ilha de Santa Lúcia, o índice de desenvolvimento humano (IDH) é de 0,821 – superior ao de Portugal (0,795) e bem maior que o Brasil (0,699). Em outras palavras: mais de 120 anos após a Lei Áurea, ainda estamos pagando a conta da escravidão.

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