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Mao Tsé-Tung – O pior chefe do mundo

A sede de poder, a megalomania econômica e a revolução cultural do grande ditador chinês custaram a vida de 77 milhões de pessoas. O maior matador da história era também o gestor que ninguém gostaria de ter

Por 31 Maio 2012, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h28
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METAS IRREAIS
Em 1959, uma década depois de tomar o poder, Mao lançou o Grande Salto Para Frente, um plano para expandir a agricultura e a industrialização. Distribuiu 700 milhões de pessoas em 27 mil comunas agrárias e industriais e deu a elas metas absurdas. Para motivar as equipes, vetou momentos de lazer, cultos religiosos e viagens. Se na indústria o plano logo falhou, na roça ele começou bem, com aumento de 70% na produção de grãos. Mas os solos se esgotaram e pelo menos 30 milhões morreram de fome. O chefe não se preocupava: “A China sempre pode produzir mais gente”, dizia.

 

CONFLITOS NA EQUIPE
Mao comandou sua Revolução Cultural (1966-1976) dando plenos poderes aos Guardas Vermelhos, jovens dispostos a puxar o saco do chefe e a propagar suas ideias. E, claro, a dedurar os colegas. O grupo chegou a roubar armas do Exército e com elas espalhar o terror. E o ditador? Proibiu as Forças Armadas de coibir os Guardas Vermelhos – mandando pro brejo a segurança pública.

 

SEM VOZ DE COMANDO
A Mao faltava até um requisito mínimo do ditador de sucesso: a lábia. Não era bom de papo. Sua língua mãe era um dialeto da região de Hunan. Seu mandarim tinha tanto sotaque que era quase incompreensível para a maioria da população. Por isso ele evitava discursos longos e passava boa parte dos recados por escrito.

 

VOCÊS MORREM, EU LEIO
Mao foi desses chefes que sobem na vida passando por cima dos colegas. Veja só: a Grande Marcha, pontapé inicial na sua carreira de herói da China comunista, levou 100 mil chineses a caminhar pelo país, entre 1934 e 1935, fugindo e lutando contra o Exército Nacionalista – desses, só 8 mil escaparam. Enquanto marchavam, os camponeses e mendigos que compunham boa parte do Exército Vermelho iam morrendo de fome, frio, doenças ou em combate. Já Mao nem se dava ao trabalho de caminhar: ia carregado em um leito, lendo seus livros.

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O TERROR DAS REUNIÕES
Ser convocado para um cara a cara com o ditador era um pesadelo. Ele viajava muito e marcava reuniões onde estivesse. Não raro um líder local era chamado para despachar com o chefe às 3 da manhã, já que o homem tinha sono irregular. Pior: cada secretário de província chinesa tinha que construir uma espécie de chácara para Mao, para ele se esconder quando batesse a paranoia de segurança – a mesma que o fazia parar toda a malha férrea e fechar estações quando viajava.

 

 

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