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O ônibus espacial autônomo

O Buran era capaz de ir ao espaço e voltar sozinho - mas a História quis que voasse uma única vez.

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 Maio 2026, 16h32 | Atualizado em 25 Maio 2026, 12h39

O texto a seguir é parte de uma reportagem em sete capítulos:
O último soviético – e outras histórias do programa espacial da URSS

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Em 12 de abril de 1981, o Columbia decolou do Kennedy Space Center, na Flórida, na primeira missão de um ônibus espacial. Deu 37 voltas na Terra, levando os astronautas Robert Crippen e John Young, e voltou no dia 14 – pousando, como se fosse um avião, na Edwards Air Force Base, na Califórnia.

Com sua frota de space shuttles (seis deles foram construídos, dos quais cinco foram ao espaço, e fizeram ao todo 135 missões até a aposentadoria do programa, em 2011), os EUA deram um passo importante à frente da URSS, tanto no aspecto espacial quanto no militar.

Isso porque, além de serem reutilizáveis, podendo fazer várias missões num curto espaço de tempo (bastava acoplá-los a um novo foguete lançador), os ônibus espaciais tinham um amplo compartimento de carga – grande o suficiente para, em tese, acomodar algum tipo de arma nuclear.

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Colagem com foguetes e ônibus espaciais soviéticos. À esquerda, um foguete preto sobre fundo vermelho texturizado. À direita, um ônibus espacial branco sobre um avião de carga, com pessoas observando. Abaixo, um selo postal soviético de 1991 com um foguete. O fundo é bege texturizado com estrelas e marcas de carimbo postal.
(Wikimedia Commons/Getty Images/Montagem sobre reprodução)

A URSS também preparava um ônibus espacial: o Buran (“nevasca”, em russo), que estava em desenvolvimento desde os anos 1970. Mas o país mergulhou numa crise econômica, e o veículo acabou só ficando pronto em 1988, quando fez seu primeiro e único voo espacial.

No dia 15 de novembro daquele ano, o Buran decolou do Cosmódromo de Baikonur, impulsionado pelo foguete soviético Energia – do qual se soltou, conforme planejado, deu duas voltas na Terra, voltou e pousou em Baikonur.

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Tudo como os ônibus americanos (com os quais era visualmente muito parecido, aliás). Mas havia também uma grande diferença: ele fez isso sozinho. O ônibus espacial soviético não levou tripulantes, e seus computadores de bordo controlaram toda a viagem, inclusive o pouso, realizado sob forte vento cruzado. Sucesso.

Uma segunda missão foi marcada para 1993. Mas não deu tempo: a URSS acabou antes, em 1991. Duas unidades do Buran foram construídas. Uma delas, a que voou, acabou sendo destruída após o desabamento de um hangar em Baikonur, onde ficava guardada junto com a outra (que sobreviveu).

A URSS chegou a iniciar a montagem de outros três Buran, bem como réplicas em tamanho real, para exibição – uma delas pode ser visitada até hoje no VDNKh (sigla em russo para “exibição das conquistas da economia nacional”), um parque de exposições inaugurado em Moscou em 1935.

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