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Sozinho no espaço: a história do último cosmonauta da União Soviética

Sergei Krikalev foi pego de surpresa pela História e ficou sem país.

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 Maio 2026, 14h01

 

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o dia 18 de maio de 1991, às 17h50 pelo horário local, a Soyuz TM-12 decolou do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão: o coração do programa espacial soviético, primeira e maior base de lançamentos do mundo, de onde saíram as missões Sputnik 1, em 1957, e Vostok 1 (que levou Yuri Gagarin ao espaço em 1961), entre muitas outras.

O muro de Berlim caíra havia um ano e meio, mas a URSS ainda estava de pé – e olhando com atenção os movimentos dos EUA. A Nasa acabara de concluir a STS-39, uma missão do ônibus espacial Discovery que foi realizada a pedido do Pentágono e incluiu um objeto, o enigmático Multi-Purpose Release Canister (“cilindro de liberação multipropósito”), cujo conteúdo é mantido em segredo até hoje.

A Soyuz, por sua vez, tinha um objetivo simples e claro. Levar três pessoas até a estação espacial Mir (“paz”, em russo): o comandante Anatoly Artsebarsky, o engenheiro de voo Sergei Krikalev e a cosmonauta Helen Sharman, primeira britânica a ir ao espaço. Ela voltou à Terra oito dias depois, em 26 de maio, como previsto. Artsebarsky regressou em outubro. Sobrou apenas Krikalev, que topou esperar na Mir até que a próxima tripulação chegasse.

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Colagem
A estação espacial Mir e o Kremlin, em Moscou. (Wikimedia Commons/Getty Images/Montagem sobre reprodução)

Mas aí, em 26 de dezembro de 1991, a União Soviética deixou de existir. Assim como as outras repúblicas soviéticas, o Cazaquistão declarou independência – e, com ela, levou junto o Cosmódromo de Baikonur, que deixava de estar sob o controle de Moscou.

Além desse impasse diplomático, o caos detonado pelo fim da URSS criou outro problema: Krikalev foi informado de que não havia dinheiro para mandar uma cápsula ir buscá-lo. Ele estava preso no espaço.

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Ficou lá até março de 1992, quando a Alemanha pagou US$ 24 milhões (US$ 56 milhões em valores atuais) à Rússia para enviar o piloto Klaus-Dietrich Flade até a Mir. O alemão ficou lá uma semana e então voltou, trazendo consigo Krikalev – que, ao regressar à Terra, se tornou cidadão da Federação Russa, estado criado após a dissolução da URSS.

Ele passou um período tão longo no espaço, 311 dias, que sofreu um efeito previsto pela Teoria da Relatividade. O tempo passa mais devagar quando se está em alta velocidade (como na Mir, que se deslocava a 28 mil km/h). Por isso, ao regressar da missão, Krikalev estava 0,02 segundo mais jovem do que as pessoas que haviam ficado na Terra.

 

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