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Schopenhauer: “O tédio não é nada além da sensação do vazio da existência”

O amor não passa de um artifício biológico. É impossível satisfazer os desejos humanos. E isso é só o começo. Conheça as ideias de um dos filósofos mais pessimistas da história

Por 29 out 2015, 13h16 | Atualizado em 9 out 2019, 16h38
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Schopenhauer era um opositor de Hegel — nas ideias e no ego. Quando foi convidado para lecionar em Berlim, marcou suas aulas para o mesmo horário daquelas ministradas pelo concorrente, a quem chamava de “charlatão”. Schopenhauer não ficou nada satisfeito ao ver que os alunos preferiam o rival — apenas cinco se matricularam em sua classe.

Ainda assim, foi um dos pensadores mais importantes da época. Sustentou que o mundo e os homens são dirigidos por uma vontade irracional. Enquanto Hegel defendia a ideia de um geist, um espírito guiando a consciência coletiva e as ações individuais, Schopenhauer era mais pessimista: nossos atos seriam guiados por desejos impossíveis de satisfazer. Tão logo realizássemos uma vontade, surgiria outra.

Para ele, o caminho para atingir a verdadeira felicidade seria justamente a castidade e a renúncia. Apesar da visão desiludida da existência, Schopenhauer dedicou parte da sua obra para tratar do amor — e buscar o amor. Não devemos nos culpar por sofrer de amor, dizia, porque nada na vida é mais importante do que amar.

Mas sua visão não era propriamente romântica. Para o filósofo, o amor é um artifício biológico para garantir a sobrevivência da espécie — não amamos senão por um impulso inconsciente que chamou de a “vontade de viver” (ou de ter filhos). Antes de Darwin e Freud, foi o primeiro a apontar razões inconscientes e biológicas da paixão. Mas ele próprio não foi bem-sucedido no assunto.

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