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Afinal, como a Lua interfere nas marés?

Estamos sendo puxados sem perceber

Por Victor Bianchin 8 mar 2026, 12h05
Afinal, como a Lua interfere nas marés? Priorizar nos meus resultados Google

A Lua interfere nas marés por causa de sua gravidade, que é a força que “puxa” as coisas em sua direção. Mesmo tendo apenas cerca de 1/81 da massa da Terra, a Lua está tão próxima que é suficiente para que sua força gravitacional seja sentida.

A gravidade da Lua puxa tudo na Terra, inclusive nós. Mas, como essa força age quase por igual em todo o nosso corpo, não sentimos nada. Já na água dos oceanos, essa pequena diferença de força entre um ponto e outro faz o nível do mar variar.

O nível do mar não é estático: ele muda conforme o dia passa, de acordo com vários fatores que agem sobre ele — em alguns momentos, sobe; em outros, desce. A gravidade lunar é o principal desses fatores. O lado da Terra que está virado para a Lua, naturalmente, é o que sofre maior atração gravitacional por parte do satélite. Isso faz com que seja criada uma protuberância (ou abaulamento) no oceano e, no litoral, o mar pareça subir — é a maré alta.

A Lua está enferrujando. O que explica isso?

Seria natural pensar que o lado oposto da Terra estaria com a maré baixa, certo? Mas não é bem assim. Na verdade, ali também ocorre maré alta. Isso acontece porque a Terra e a Lua não ficam totalmente paradas: elas giram juntas no espaço, como dois patinadores que se seguram pelas mãos e giram. Esse movimento faz com que a água dos oceanos também “inche” no lado oposto da Lua. Por isso existem duas marés altas ao mesmo tempo: uma no lado da Terra voltado para a Lua e outra no lado contrário.

A atração gravitacional da Lua sobre a Terra, combinada com outras forças tangenciais, faz com que a água da Terra seja redistribuída, criando, em última análise, protuberâncias de água no lado mais próximo da Lua e no lado mais distante da Lua. (Gráfico sem escala.)
(NASA/Vi Nguyen/Reprodução)
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Pode parecer confuso, mas o resultado é que temos forças similares em lados opostos. Se você imaginar a Terra como um círculo perfeito desenhado em uma folha de papel e desenhar a Lua ao lado, os lados horizontais teriam a maré alta e os lados verticais, onde a força gravitacional da Lua é menor, teriam a maré baixa.

A maré baixa ocorre porque as marés altas “roubam” água dos oceanos onde ocorrem, diminuindo a quantidade desse líquido nos outros mares. À medida que a Terra gira, essas marés altas e baixas se movem pelo globo, gerando um ciclo que dura, em média, 24 horas e 50 minutos.

Isso implica duas coisas: primeira, que as marés ocorrem cerca de 50 minutos mais tarde a cada dia. Segunda, que a maioria das localidades costeiras experimenta duas marés altas e duas marés baixas todos os dias. Isso é o que é chamado de regime semidiurno, sendo que também existe o diurno (uma maré alta e uma baixa) e o misto.

A dinâmica entre a Lua e o Sol

Assim como a Lua, a gravidade do Sol também é um fator importante. Por ser muito maior (27 milhões de vezes a massa da Lua!), o Sol tem uma gravidade também muito maior do que a do satélite natural. Só que ele também está mais distante da Terra, o que significa que sua força gravitacional acaba sendo um pouco menos influente para as marés.

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Ainda assim, ele é uma influência. E a dinâmica entre as posições da Lua e do Sol em relação à Terra cria dois fenômenos diferentes: a maré de sizígia e a maré de quadratura.

Quando o Sol, a Lua e a Terra estão alinhados (cerca de duas vezes por mês), o Sol e a Lua trabalham juntos para causar as marés de sizígia. Durante as marés de sizígia, as marés altas são um pouco mais altas e as marés baixas, um pouco mais baixas do que o normal.

Por outro lado, quando o Sol e a Lua estão em ângulo reto um com o outro (formato de L), as marés solares cancelam parcialmente as marés lunares, e temos o oposto: as marés de quadratura. Aqui, as marés altas são um pouco mais baixas e as marés baixas um pouco mais altas do que a média. 

Muitos organismos costeiros sincronizam sua dieta com a maré. Peixes entram em estuários na maré alta para comer, enquanto aves limícolas (como garças e maçaricos) esperam a maré baixar para caçar invertebrados expostos na lama. Já as tartarugas marinhas esperam a maré alta para chegar o mais perto possível da linha da vegetação e depositar seus ovos. Isso reduz a distância que precisam rastejar na areia, economizando uma energia vital e diminuindo o tempo de exposição a predadores terrestres.

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Veja como é a disposição dos corpos celestes na spring tide (maré de sizígia) e na neap tide (maré de quadratura):

Ilustração de Diagrama que mostra marés da terra
(blueringmedia/Getty Images)

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