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Assistir a shows ao vivo pode fazer bem para a saúde

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Por Victor Bianchin
31 dez 2025, 08h17 • Atualizado em 19 jan 2026, 10h27
  • As luzes se apagam, os telões se acendem e a música começa a tocar. Quem já foi ver seu artista favorito ao vivo sabe: poucas sensações se comparam. Nesses momentos, ficam para trás os preços inflacionados, as filas virtuais, as múltiplas taxas de conveniência, os setores que se esgotam em segundos. Assistir a um bom show é uma forma de catarse.

    E quem diz isso é a ciência: múltiplos estudos atestam que esse bem estar que sentimos na plateia tem efeitos positivos reais no corpo.

    Resposta emocional e fisiológica

    Em 2025, uma pesquisa da Organização Internacional de Pesquisas do Cérebro (IBRO) comparou a experiência de assistir a um show ao vivo e em vídeo, com os participantes respondendo um questionário depois. Os resultados mostraram que os que vivenciaram o show ao vivo tiveram respostas emocionais e fisiológicas muito maiores.

    A plateia do show apresentou maior condutância da pele, uma medida fisiológica que aumenta quando ficamos emocionados, ansiosos, surpresos, etc. Os testes de eletroencefalograma (EEG) desse pessoal também mostraram níveis de excitação reduzidos durante a apresentação ao vivo, “possivelmente refletindo uma absorção cognitiva mais profunda”, diz o texto.

    Uma curiosidade desse estudo é que ele encontrou uma “correlação significativa” entre o tempo de tela dos participantes e seu engajamento emocional nas experiências. Isso sugere que passar muito tempo olhando para celulares, tablets e afins pode reduzir nossa sensibilidade a um show ao vivo.

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    Ação contra doenças mentais

    Um estudo de 2022 feito por pesquisadores chineses analisou 9 ensaios clínicos randomizados com pacientes em quimioterapia. Eles observaram que intervenções musicais (ao vivo ou gravadas) resultaram em redução da ansiedade e melhora na qualidade de vida, embora não tenha havido efeito significativo sobre depressão.

    Os shows ao vivo também têm efeito sobre algumas condições específicas. Uma pesquisa italiana de 2017 apontou que a experiência reduz a ansiedade em pacientes com câncer. E um estudo espanhol  de 2024 mostrou que pacientes de hemodiálise têm sua ansiedade e depressão atenuadas com as apresentações ao vivo.

    Vida mais longa

    Por fim, um estudo de 2018 mostrou que frequentar um show a cada 15 dias pode estar relacionado a uma maior expectativa de vida. Essa pesquisa, conduzida por uma casa de shows britânica e um professor da Universidade Goldsmith, precisa ser encarada com certo cuidado, pois seus resultados não foram publicados em um artigo científico revisado por pares.

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    Ainda assim, os achados são curiosos: segundo o comunicado oficial, pessoas que vão a shows com frequência pontuam melhor em marcadores como felicidade, contentamento, produtividade e autoestima.

    Os participantes do estudo realizaram testes psicométricos e de frequência cardíaca enquanto executavam diversas atividades. Ao assistirem a shows de música ao vivo, a sensação de bem-estar aumentou 21% (mais que a prática de ioga, por exemplo, que só registrou 10% de melhora). 

    Entre os marcadores de bem-estar, estão os sentimentos de autoestima e de proximidade com outras pessoas — ambos melhoraram em 25%. A estimulação mental foi a mais afetada, com uma melhora de 75%. Isso sugere que a experiência regular com música ao vivo é um fator que pode contribuir para uma melhoria duradoura do bem-estar, o que, por sua vez, estaria relacionado à maior expectativa de vida.

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