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Por que você não deve fazer álcool gel caseiro

Em meio à alta nos preços, muitas receitas de álcool em gel têm viralizado nas redes. Conheça os riscos e o que você de fato pode fazer para se proteger.

Por Maria Clara Rossini - Atualizado em 20 mar 2020, 21h19 - Publicado em 20 mar 2020, 21h13

Com o coronavírus rolando solto no Brasil, vem o pânico. Talvez você não tenha a sorte de encontrar álcool em gel na primeira farmácia que aparecer na sua frente – e, se encontrar, provavelmente o preço não será dos mais amigáveis. Algumas farmácias já adotaram o sistema de lista de espera para quem quiser reservar o produto.

Por isso, muita gente tem recorrido à internet para procurar uma solução que não machuque muito o bolso. Aí é que surgem “receitas”  de como fazer álcool gel em casa, que nada mais são do que um tiro no pé. Além de ser perigoso para a saúde, o álcool caseiro pode não proteger contra o coronavírus e até potencializar sua ação.

Essas receitas geralmente usam álcool líquido como base do produto. Segundo o Conselho Federal de Química (CFQ), o manuseio de álcool em altas concentrações pode causar acidentes – que vão de irritação na pele a, obviamente, incêndios (você pensa que cachaça é água?)  

Pra começar, o processo de fazer álcool gel não é tão simples quanto as receitas fazem parecer. O álcool em gel vendido na farmácia passa por uma série de testes que verificam a concentração de álcool no produto e outras variáveis – todas estabelecidas por pesquisas que testaram a eficácia do produto em diferentes configurações contra bactérias e vírus.

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Como o álcool gel caseiro não segue nenhuma dessas regras, não há garantia de que ele elimine o coronavírus. E mais: ele pode até ter o papel oposto. “A depender do que se utiliza como espessante, ao invés de eliminar microrganismos pode-se potencializar sua proliferação”, diz o CFQ, em nota divulgada sobre o tema. Em bom português: nada de engrossar sua receita caseira com Maizena. 

A concentração ideal para eliminar os germes é 70%. Soluções alcoólicas com concentrações maiores evaporam muito rápido, e aí não dá tempo de aniquilar os micróbios. Além disso, a solução deve ter uma quantidade mínima de água que dê um empurrãozinho para o álcool a entrar na célula e matar o patógeno.

Então qual é a solução para a falta de álcool gel? Simples: nenhuma. Você dificilmente vai precisar do produto. 

É importante ter álcool gel preparado apenas para eventuais saídas (somente o necessário, como farmácia e supermercado). O restinho que há no tubo provavelmente basta para tal missão. Se você encontrar o produto sendo vendido a preços abusivos, denuncie ao Procon. O órgão tem feito uma campanha massiva contra os preços altos e já recebeu mais de 150 denúncias no estado de São Paulo.

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Lavar as mãos com água e sabão é tão eficaz – na verdade, até mais eficaz – do que passar álcool gel. Ele serve mais como uma alternativa para quando não há uma pia por perto. Como a recomendação no momento é ficar em casa, é provável que você esteja a passos de distância do banheiro mais próximo.

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