OFERTA 10.10! Revista impressa com o MENOR PREÇO DO ANO! 🤑 Assine agora!

Baleias se comunicam de forma tão eficiente quanto humanos, segundo estudo

Pesquisadores analisaram o canto de 16 espécies de cetáceos – e descobriram que algumas delas seguem regras linguísticas humanas

Por Eduardo Lima 6 fev 2025, 18h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h17
Baleias se comunicam de forma tão eficiente quanto humanos, segundo estudo Priorizar nos meus resultados Google

Muitas baleias falam cantando. O padrão de sons que elas repetem para se comunicar se assemelha às regras rítmicas que os humanos usam para escrever música. Apesar do floreio artístico, a comunicação das baleias pode ser tão eficiente quanto a comunicação humana – ou até mais.

Mas o que seria uma comunicação eficiente? Pensa só: é melhor gritar “pega ladrão!” do que falar “pessoal, aquela pessoa que está correndo de forma irresponsável no meio da multidão acabou de arrancar meu celular da minha mão e está fugindo! Por favor, me ajudem a pegá-lo e recuperar meu telefone!” Até terminar seu discurso, o ladrão já correu dois quarteirões – e você ficou sem voz.

“Eficiência em comunicação é expressar o máximo de informação com o mínimo de esforço”, explica Mason Youngblood em entrevista à Super. O pesquisador analisou 65.511 sequências de canto de baleias e comparou-as com 51 línguas humanas. O foco do estudo, publicado no periódico Science Advances, foi eficiência temporal: expressar o máximo de informação no mínimo de tempo. Para fazer isso, ele usou a lei Menzerath e a lei Zipf, dois conceitos importantes da linguística.

De acordo com a lei Menzerath, um construto linguístico grande vai ser mais eficiente se contar com várias subdivisões pequenas. Uma palavra enorme vai ser dividida em várias sílabas pequenas, por exemplo.

Continua após a publicidade

Já a lei de Zipf afirma que a comunicação é mais eficiente quando os elementos individuais usados com mais frequência (como as palavras) são mais curtos. A palavra mais repetida deste texto, por exemplo, provavelmente é ser algum pronome, artigo ou um verbo curtinho.

O estudo de Youngblood usou essas leis de linguística geral, criadas para entender a linguagem humana, para analisar o canto de 16 espécies de cetáceos diferentes, mamíferos marinhos como golfinhos, odontocetos (que tem dentes, como as orcas) e misticetos (animais que têm filamentos queratinizados ao invés de dentes para proteger a boca e capturar as presas).

Falando baleiês

Youngblood é pesquisador da Universidade Stony Brook, uma instituição pública de ensino no estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Para realizar esse estudo independente, ele utilizou vários bancos de dados pré-existentes com as vocalizações dos cetáceos, com o tempo de início e fim de cada canto. Com base nos sons mais comuns e na sua duração, ele analisou a prevalência das leis linguísticas nas baleias.

Continua após a publicidade

Das 16 espécies de cetáceos analisadas, 11 se saíram tão bem quanto os humanos na lei de Menzerath, ou até melhor. Só as jubartes e baleias-azuis seguiam a lei de Zipf.

Youngblood ficou surpreso com a descoberta sobre a lei de Menzerath, e levantou uma possível explicação: “os cetáceos vocalizam debaixo da água enquanto estão segurando a respiração, o que requer que eles reciclem o ar e façam outras adaptações especiais. Isso pode aumentar a pressão para ser mais eficiente com o tempo”. 

Continua após a publicidade

Ninguém sabe muito bem por que as baleias conversam tanto entre si. “Jubartes e baleias-da-groenlândia usam a canção para cortejar parceiros românticos, enquanto golfinhos e orcas provavelmente se comunicam para coordenar a caçada”, explica Youngblood. Tudo varia de acordo com espécie, e mesmo as que a gente mais conhece continuam guardando seus mistérios comunicacionais.

As leis linguísticas dos seres humanos também são aplicáveis a outros animais. Pássaros, e macacos e sapos também já tiveram sua comunicação analisada de perto. Para Youngblood, “quanto mais nós procuramos esses padrões, mais os encontramos”.

Continua após a publicidade

Um dia depois da publicação de Youngblood, um artigo sem associação foi publicado na Science sobre o mesmo tema. Os pesquisadores aplicaram métodos quantitativos normalmente usados para avaliar a fala das crianças para estudar o canto das baleias-jubarte. Esse estudo também mostrou que as jubartes seguem a lei de Zipf, e têm padrões vocais muito complexos e parecidos com os dos humanos.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas

ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ESQUENTA 10.10

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).