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Dia da Terra: como o coronavírus mudou o planeta

De redução na poluição até animais invadindo cidades. Veja alguns dos efeitos colaterais da pandemia para o meio ambiente

Por Maria Clara Rossini - 22 abr 2020, 17h49

A pandemia de Covid-19 não mudou apenas o estilo de vida dos humanos. Com um terço da população mundial em quarentena, não é de se estranhar que ela também impactasse a dinâmica do meio ambiente.

Além de ser o ano do coronavírus, 2020 também é o ano do 50º Dia da Terra, celebrado no dia 22 de abril. A data foi criada em 1970 pelo senador americano Gaylord Nelson, com o objetivo de gerar conscientização sobre a preservação do meio ambiente e o impacto das ações humanas – e elas nunca estiveram tão visíveis.

A maior mudança foi a redução da poluição atmosférica. Com menos automóveis nas ruas e menos fábricas funcionando, a diminuição na emissão de poluentes foi detectada por satélites em várias regiões do mundo, incluindo Brasil, China, Estados Unidos e Itália.

Reprodução/NASA

 

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Na China, a redução de poluentes ocorreu entre janeiro (primeira foto) e fevereiro (segunda foto), quando a quarentena se intensificou no país. A imagem feita por satélites da NASA e ESA (Agência Espacial Europeia) mostra a concentração de NO2 na atmosfera chinesa. Agora, com a retomada da produção industrial, a China já voltou a registrar altos índices de poluição. Desde o dia 17 de fevereiro, os índices de NO2 estão 50% maiores do que no período de quarentena. Mesmo assim, eles ainda estão 20% mais baixos quando comparados ao mesmo período de 2019. Os dados são do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Puro.

Em Nova York, as emissões de monóxido de carbono de automóveis diminuíram 50% em comparação ao ano passado, segundo a Universidade Columbia. O mesmo aconteceu no Brasil: segundo a Cetesb, a poluição atmosférica em São Paulo também caiu pela metade após uma semana de quarentena na capital.

A Itália é outro país que passa por quarentena rígida. A animação abaixo, da Agência Espacial Europeia, mostra a queda nos níveis de NO2 no país.

Já alguns moradores do norte da Índia puderam ver parte da cordilheira de Dhauladhar, no Himalaia, pela primeira vez. Devido ao alto índice de poluição atmosférica no país, o fenômeno não acontecia desde a Segunda Guerra Mundial. 

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Além da redução da poluição, a menor quantidade de pessoas nas ruas também deu espaço para os animais se aventurarem no ambiente urbano. Em Llandudno, no Reino Unido, várias cabras foram vistas andando pela cidade durante a quarentena. O mesmo aconteceu com animais de Tailândia, Índia e África do Sul.

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Na Itália, peixes puderam ser vistos nos canais de Veneza, que antes eram extremamente turvos. A água cristalina é resultado da menor movimentação de barcos pelos canais. O vai e vem faz com que os sedimentos fiquem em suspensão na água. Sem eles, a terra se acumula no solo e a água parece mais limpa.

 

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O impacto da pandemia foi medido até por sismógrafos. A quarentena generalizada diminuiu o ruído sísmico da crosta terrestre, resultado da diminuição da atividade humana. O fenômeno foi detectado por geólogos de diversos países. Na prática, a diminuição do ruído não faz tanta diferença para o meio ambiente, mas pode facilitar a detecção de terremotos leves e outros pequenos abalos sísmicos.

Mesmo com tantas mudanças para o meio ambiente, não é hora de comemorar. É provável que esse seja só um “respiro” para o planeta, e que a emissão de poluentes volte com ainda mais intensidade quando a quarentena geral acabar. Depois da crise financeira de 2008, por exemplo, a emissão de carbono cresceu 5%, como resultado dos estímulos econômicos ao setor de combustíveis.

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