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Por que a Nasa quer construir um reator nuclear na Lua?

A energia atômica na Lua ainda deve demorar – mesmo que a Nasa queira cumprir o objetivo até 2030.

Por Manuela Mourão 11 ago 2025, 14h00
Por que a Nasa quer construir um reator nuclear na Lua? Priorizar nos meus resultados Google

Na semana passada, a Nasa anunciou que pretende lançar um reator nuclear capaz de gerar pelo menos 100 quilowatts de eletricidade – o suficiente para alimentar mais de 400 casas brasileiras por um mês – na superfície da Lua até 2030. O anúncio foi feito por Sean Duffy, secretário de Transportes e, agora, administrador interino da agência espacial. 

A ideia é que essa energia seja usada para futuras missões de exploração espacial. Atualmente, sondas como as Voyagers (que são usadas desde os anos 1970) funcionam à base de fontes semelhantes a baterias, os reatores de fissão nuclear podem, em teoria, gerar muito mais energia, superando inclusive a alternativa de painéis solares – que apresentam desvantagens especialmente em locais onde a luz solar é escassa. 

Um dia lunar equivale a cerca de 28 dias terrestres, com duas semanas de luz solar intensa e duas semanas de escuridão profunda e fria, em que as temperaturas caem a até -240°C. Sistemas baseados em energia solar, como os usados na Estação Espacial Internacional, simplesmente não funcionariam de forma eficiente durante esses períodos noturnos.

Um reator de fissão – pequeno o suficiente para ser transportado por um foguete, mas poderoso o suficiente para sustentar uma base lunar – mudaria esse cenário. Ter uma fonte de energia independente do Sol seria essencial para a presença humana na superfície lunar, disse a Nasa.

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A proposta de Duffy não surgiu do nada. Desde 2022, a Nasa tem financiado projetos conceituais para reatores lunares de 40 quilowatts. Empresas como Lockheed Martin, Westinghouse e Intuitive Machines tentaram desenvolver protótipos com menos de seis toneladas de peso – o limite estipulado para caber num foguete moderno. Nenhuma conseguiu, no entanto.

Agora, a Nasa sugere a construção de um reator de 100 quilowatts de geração de energia e até 15 toneladas de carga útil – a agência espera que empresas como SpaceX ou Blue Origin possam entregar um sistema funcional nos próximos cinco anos.

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Ainda que seja, em teoria, algo viável, os especialistas duvidam do prazo apertado divulgado pela Nasa. “É um cronograma muito agressivo e, francamente, irrealista para algo que é bom e deveria acontecer”, disse Kathryn Huff, ex-funcionária de energia nuclear do Departamento de Energia e agora professora de engenharia nuclear na Universidade de Illinois. “A intenção é fornecer energia a um posto avançado. Então, parece um pouco tolo fazer isso sem ter um posto”, para o The New York Times.

Um reator nuclear na Lua teria funcionamento diferente dos da Terra porque precisaria ser compacto e leve para caber em um foguete, além de só ser ativado após a chegada ao destino. As condições lunares, como a ausência de ar e água e as temperaturas extremas, dificultam o controle térmico do reator, exigindo o uso de grandes radiadores para dissipar o calor. Um dos maiores desafios técnicos é desenvolver materiais que resistam às altas temperaturas envolvidas na conversão de calor em eletricidade.

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A pressa dos EUA não é apenas tecnológica. Há uma dimensão geopolítica na jogada. Em maio, China e Rússia anunciaram planos conjuntos para estabelecer uma base lunar com um reator nuclear até meados da década de 2030. O temor é que essas nações criem “zonas de exclusão” ao redor de suas instalações, limitando o acesso norte-americano a regiões estratégicas, como o polo sul lunar – onde há gelo, possível fonte de água e combustível.

Embora o Tratado do Espaço Exterior de 1967 proíba a apropriação territorial de corpos celestes, ele permite o uso pacífico de recursos para o benefício de todos na Terra. É um vácuo legal que vem sendo preenchido por acordos como os Acordos de Artemis, liderados pelos EUA e já assinados por mais de 50 países (China e Rússia não estão entre os signatários). Nesses acordos, o conceito de “zonas de segurança” ao redor de instalações lunares começa a ganhar forma e tensão.

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Além disso, o que motiva essa nova corrida à Lua é a promessa de riquezas e sustentabilidade de longo prazo no espaço. A Lua contém reservas significativas de água congelada, hélio-3 e metais raros (todos elementos valiosos para a manutenção de missões humanas e robóticas).

Além disso, um reator nuclear na Lua serviria como prova de conceito para tecnologias que serão essenciais em Marte, onde o Sol brilha menos e os desafios de sobrevivência são ainda mais difíceis.

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