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Só três pessoas morreram, de fato, no espaço. Saiba quem foram

19 pessoas perderam a vida, até hoje, em missões espaciais. Mas em apenas um caso isso ocorreu no espaço: durante uma missão Soyuz, em 1971.

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 Maio 2026, 16h22 | Atualizado em 20 Maio 2026, 14h26

O texto a seguir é parte de uma reportagem em sete capítulos:
O último soviético – e outras histórias do programa espacial da URSS

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Dezenove pessoas morreram, até hoje, em missões espaciais. Os casos mais conhecidos são os desastres dos ônibus espaciais Challenger, que explodiu 73 segundos após o lançamento, em janeiro de 1986, e Columbia, que se desintegrou ao reentrar na atmosfera, em fevereiro de 2003.

Esses incidentes aconteceram abaixo da chamada Linha de Kármán, que fica a 100 km de altitude e define a fronteira do espaço sideral (ela tem esse nome em homenagem ao físico húngaro Theodore von Kármán, que trabalhou na Nasa). Portanto, tecnicamente, as mortes ocorreram na Terra. Mas houve um caso de óbito no espaço.

Após decolar do Cosmódromo de Baikonur em 6 de junho de 1971, a missão Soyuz 11 viajou por um dia até alcançar a Salyut 1, a primeira estação espacial construída pela humanidade. Georgy Dobrovolsky, Vladislav Volkov e Viktor Patsayev, os tripulantes, conseguiram acoplar a Soyuz com a estação (coisa que a missão anterior, Soyuz 10, não conseguira fazer).

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Aí os três entraram na Salyut, até então inabitada, e lá ficaram por 22 dias. No décimo primeiro dia, quase evacuaram a estação devido a um incêndio, mas conseguiram controlá-lo.

Colagem com três astronautas em preto e branco dentro de uma nave, um selo vermelho com a estação espacial Salyut e a Terra vista do espaço.
Dobrovolsky, Volkov e Patsayev; selo da missão Soyuz 11. (Wikimedia Commons/Getty Images/Montagem sobre reprodução)

Em 29 de junho, os três voltaram à Soyuz para começar o trajeto de volta à Terra. Desacoplaram a cápsula e ajustaram sua trajetória, acionando os propulsores, para a reentrada na atmosfera. Mas aí, inexplicavelmente, pararam de se comunicar com a base. Vinte e cinco minutos depois, a Soyuz 11 pousou nos arredores da cidade de Karazhal, no Cazaquistão.

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Não havia sinais de dano à cápsula – mas, ao abri-la, a equipe de resgate constatou que os três cosmonautas estavam mortos, com os rostos arroxeados. Uma investigação revelou a causa. Depois que a Soyuz descartou o módulo orbital, uma válvula de ar se abriu indevidamente – e isso despressurizou o módulo de descida, no qual os cosmonautas estavam. Eles morreram asfixiados, em cerca de 40 segundos. Estavam a 168 km de altitude – acima da Linha de Kármán, imersos na vastidão do espaço.

Um detalhe relevante, e também mórbido, é que os três eram uma tripulação reserva. A Soyuz 11 iria levar outros três cosmonautas, Alexei Leonov, Valery Kubasov e Pyotr Kolodin – mas eles acabaram descartados quatro dias antes do lançamento, quando um exame sugeriu que Kubasov poderia estar com tuberculose. Com isso, escaparam da morte. Quatro anos mais tarde, Leonov e Kubasov participaram da missão Apollo-Soyuz [leia mais no texto O aperto de mãos].

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