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Cientistas sequenciam genoma humano das ruínas de Pompeia

A partir dessa análise, deduziram até que ele tinha tuberculose antes de morrer.

Por Leo Caparroz 27 Maio 2022, 20h49

Pesquisadores conseguiram sequenciar o genoma do corpo de um antigo habitante da cidade romana de Pompeia. Com isso, foram capazes de determinar seu perfil genético e, inclusive, que ele tinha tuberculose.

Pompeia foi uma cidade romana que, no ano 79, foi destruída pela erupção do vulcão Vesúvio. Muitos moradores perderam a vida esmagados por rochas ou pelos destroços de casas e construções. Mas a maior parte morreu por causa do calor intenso e do chamado fluxo piroclástico, uma nuvem de gás quente e cinzas liberada após a erupção de vulcões.

Essa chuva de cinzas soterrou completamente a cidade, que se manteve escondida por 1.600 anos – ela foi redescoberta por acaso em 1748. As mesmas cinzas que se espalharam e a destruíram também ajudaram a protegê-la da ação do tempo. Agora, as ruínas são o local de um sítio arqueológico impressionante, com os corpos das vítimas moldados no formato exato em que foram acometidas pela erupção.

Até então, acreditava-se que apenas a forma dos cadáveres estaria preservada. Mais especificamente, os pesquisadores pensavam que seria impossível analisar o DNA das vítimas, pois a alta temperatura teria destruído a matriz óssea que abrigaria o DNA.

Ao mesmo tempo, as cinzas que ajudaram na preservação podem ter servido como uma proteção extra contra um desgaste maior. Somada aos recentes avanços no campo de sequenciamento de genoma, fragmentos de DNA que não teriam uso agora portam informações recuperáveis.

Pensando nisso, uma equipe de cientistas se propôs a sequenciar o genoma de duas vítimas do Vesúvio. A primeira era um homem, com idade entre 35 e 40 anos no momento da morte. A segunda, uma mulher, que tinha mais de 50 anos na ocasião.

Eles extraíram o DNA da parte petrosa do osso temporal, que fica nas laterais do crânio. É um dos ossos mais densos do corpo; portanto, possui mais chance de conter DNA que pode ser usado.

O material foi extraído e sequenciado, mas só o osso do homem forneceu DNA o bastante para uma análise.

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Partindo da análise feita, os pesquisadores compararam a amostra com mais de mil genomas de indivíduos antigos e quase 500 genomas modernos de habitantes da Eurásia ocidental. Os resultados indicavam que o homem era italiano – a maior parte do DNA batia com o de pessoas da Itália central, tanto antigas quanto atuais.

Alguns genes encontrados em pessoas na ilha da Sardenha sugerem que havia alta diversidade genética na península italiana durante o tempo de vida daquele homem.

O mais curioso é que o material também mostrou a presença de DNA do Mycobacterium tuberculosis, o bacilo de Koch, causador da maioria dos casos de tuberculose. O começo do estilo de vida mais urbanizado e o crescimento das cidades facilitaram a propagação da tuberculose, e a doença provavelmente não era incomum.

Fotografia e radiografia digital de vértebra lombar.
Fotografia e radiografia digital da vértebra lombar, comumente afetada na tuberculose vertebral. Scientific Reports/Reprodução

Um estudo mais detalhado atesta que ele possivelmente sofria de tuberculose vertebral, uma forma da doença em que a bactéria se aloja nos ossos, tipicamente na coluna.

Nesse caso, o mais importante para os cientistas não são os resultados e o que eles significam, mas sim o próprio sucesso em obtê-los. “Nosso estudo – embora limitado a um indivíduo – confirma e demonstra a possibilidade de aplicar métodos paleogenômicos para estudar restos humanos deste local único”, afirmam no artigo.

Essa colaboração de arqueologia com genética é vista com bons olhos pelos autores, que planejam usá-la para abrir uma janela para o passado e o estilo de vida daquelas populações.

“Apoiados pela enorme quantidade de informações arqueológicas coletadas no século passado sobre a cidade de Pompeia, essas análises paleogenéticas nos ajudarão a reconstruir o estilo de vida desta fascinante população do período imperial romano.”

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