Dormir mais aumenta as notas escolares, mostra estudo
Experimento com mais de 1.100 universitários mostrou que desempenho acadêmico melhora mesmo com apenas alguns minutos extras de sono.
O tempo de sono influencia diretamente a saúde do corpo. Pesquisas científicas já relacionaram poucas horas de sono a uma grande diversidade de problemas, como alterações de humor, ansiedade, diabetes e mudanças no funcionamento do sistema imunológico. Além de afetar a saúde, o sono tem sido relacionado, mais recentemente, ao desempenho acadêmico.
Um novo estudo desenvolvido por universidades dos Estados Unidos decidiu investigar mais a fundo essa relação – mas, dessa vez, analisando situações reais da vida dos estudantes.
Os pesquisadores constataram, pela primeira vez em um experimento prático, que dormir mais pode de fato melhorar o desempenho acadêmico. Mais do que isso, mostraram que é possível estimular melhores hábitos de sono por meio de pequenas intervenções diárias.
Publicado no periódico científico Journal of Political Economy, o estudo realizou um experimento de campo de quatro semanas com mais de 1.100 estudantes. Eles costumavam dormir, em média, 6,6 horas por dia.
Metade dos alunos recebeu incentivos para dormir pelo menos sete horas por noite. Eles recebiam lembretes na hora de dormir e, caso cumprissem a meta, ganhavam US$ 4,75 por dia. A ideia era inserir incentivos na rotina dos estudantes para aumentar a duração do sono.
O restante dos participantes não recebeu recompensas nem lembretes. Todos os participantes eram monitorados por meio de um Fitbit, uma pulseira que mede o sono, os batimentos cardíacos e outros aspectos da saúde.
Depois de semanas, os pesquisadores analisaram a duração do sono dos dois grupos. Entre os alunos que receberam incentivos, a proporção de noites com mais de sete horas de sono aumentou 26%. É o equivalente a cerca de 19 minutos a mais por noite. Mesmo depois do fim dos lembretes e das recompensas, o grupo continuou dormindo mais, com cerca de oito minutos extras por noite.
Na segunda etapa de análise, os pesquisadores relacionaram esses dados ao desempenho acadêmico dos estudantes, medido nos Estados Unidos pelo GPA, uma média das notas calculada em uma escala de 0 a 4.
Eles observaram um aumento no GPA dos alunos que receberam os incentivos para dormir. Durante a intervenção, o índice aumentou entre 0,075 e 0,089 ponto nesse grupo. No semestre seguinte, o aumento se manteve em magnitude semelhante.
Segundo os pesquisadores, essas melhorias são comparáveis às observadas em programas de incentivo financeiro voltados a estudantes, mas obtidas por meio de uma intervenção simples na rotina.
“Nossos resultados demonstram que incentivos direcionados ao sono podem ser uma abordagem custo-efetiva para melhorar os resultados acadêmicos”, escrevem os autores no estudo.
Ainda são necessários novos estudos para entender melhor a relação entre sono e desempenho acadêmico e avaliar se intervenções semelhantes funcionariam em outros grupos.







