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Posts da categoria ‘grandes desastres’


Se as geleiras derreterem, como o nível do mar pode subir se elas já estão no oceano?

17 de fevereiro de 2014

Senhor do conhecimento, responda esta: por que o nível das águas dos oceanos irão aumentar com o derretimento das calotas polares se as elas já estão dentro dos oceanos ?
Rafael Moraes, Uberlândia, MG

gelo

Porque nem todas as calotas polares estão dentro dos oceanos, não são pedras gigantes de gelo boiando. Alice Grimm,  professora do Departamento de Física da elegantérrima UFPR, nos lembra que há calotas que estão boiando, claro (como no oceano Ártico) e outras que estão sobre a terra (como na Antártica).

Se o gelo flutuante derreter, não vai mesmo fazer muita diferença para o nível das águas. “Quando o gelo derrete, o volume de água resultante desse derretimento é igual ao volume de água que o cubo de gelo deslocava. Portanto, o nível de água não aumenta com o derretimento de gelo flutuante”, lembra a professora.

Mas há muitas geleiras que estão cobrindo a terra. Se elas derreterem ou se desprenderem e forem para o oceano, aí, meu amigo…

A PARADA FICA SÉRIA

madruga

 

 

O nível do mar vai subir, se essas geleiras derreterem. “Pode ser gelo da Antártica, ou de outras geleiras, como na Groelândia, ou ainda que estão em montanhas, como nos Andes e nos Alpes”, diz Alice. E tem mais. Outro fator que deve fazer o nível dos oceanos subir com o aquecimento global é o aumento da temperatura da água, que leva à expansão térmica.

(foto: Guillermo Avalos)


Qual a diferença entre o calendário maia e o asteca?

13 de dezembro de 2012

Qual a diferença entre o calendário maia e o asteca? Porque vi na internet que aquele calendário que todo mundo mostra como maia na verdade é o asteca.
Carlos, Juiz de Fora, MG

Pedra do Sol Asteca. Além de espalhar bobagem, essa gente confunde os povos. É o fim do mundo!

É isso aí, psit. (não) acaba o mundo e ainda isso! O calendário que normalmente tem sido divulgado em blogs, sites e redes sociais não é o calendário maia e, sim, a Pedra do Sol Asteca, uma representação muito conhecida e que, na verdade, nem pode ser chamada de calendário.

“As pessoas usam as questões relacionadas ao calendário maia, mas nas ilustrações colocam a Pedra do Sol Asteca, que nem calendário é”, conta Leila Maria França, doutora em arqueologia do Centro de Estudos Mesoamericanos e Andinos da USP. Leila explica que apesar dos dois povos mesoamericanos possuírem sistemas de calendários parecidos, os maias utilizavam um calendário a mais, que, até onde se sabe, era desconhecido pelos astecas.

Esse calendário é chamado de Conta Longa e tem o objetivo de contar a história dos reis maias. Possui um ciclo de 5 114 anos e ficou conhecido recentemente por ser usado como base para boatos sobre o fim do mundo, marcado para o dia 21 de dezembro de 2012. Para a arqueóloga, no entanto, a previsão não faz sentido, pois o final do calendário de Conta Longa prevê apenas o fim de um ciclo, como no caso de um ano solar.

“Os Maias jamais deixaram registros que nos fizessem crer que eles acreditavam no fim no mundo. Em todos os seus calendários, eles acreditavam que após o fim de um ciclo, outro se iniciaria”, diz Leila.

É possível diferenciar os calendários maia e asteca pelas simbologias específicas de representação de cada povo, explica a arqueóloga.“Se você olhar um calendário maia, vai ver que os glifos são todos arredondados e sistematizados. Os maias também usavam pontos e barras para se referir aos números do calendário e alguns símbolos”. Um modo de representar bem diferente daquele visto na imagem da Pedra do Sol Asteca, por exemplo.

O calendário certo. Duvido que esse alguém compartilhou. Nem mesmo a SUPER. Rá!

(crédito das imagens: ~rede mundial de computadores~)


Quais as chances de uma vaca cair na cabeça de alguém?

30 de agosto de 2012

Vi essa semana o filme Um Conto Chinês e fiquei com uma dúvida: quais as chances de uma vaca cair na cabeça de alguém?
Mateus Rocha Silva, Alfenas, MG


Será que as vacas de Alfenas voam?

Não se preocupe, Mateus. A chance de isso ocorrer é muito remota, quase nula. Afinal, uma combinação de fatores esquisitíssima deveria acontecer para que uma vaca caísse na cabeça de alguém.

ATÉ PORQUE, NÉ!? Vamos combinar…

Já que você se refere ao filme Um Conto Chinês, que na verdade é argentino e, como 90% dos longas argentinos é estrelado por Ricardo Darín (um cara maneiro), vamos considerar que a vaca caísse de um avião:

O número de bovinos vivos transportados por via aérea no Brasil é muito pequeno. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg), Daniel Freire, em 2010, apenas 100 bovinos vivos cruzaram o céu brasileiro para exportação. Não há dados sobre quantos aviões foram usados para transportar as 100 cabeças de gado (cabem até 200 por aeronave) nem se houve um acidente com algum deles. Ou seja, em 2010, no máximo 100 aviões carregando boi levantaram voo no País.

No mesmo ano, o total de voos controlados pela Infraero foi de 2 648 449. Do montante, somente 91, ou 0,0034% deles, sofreram um acidente. Não se sabe se caiu algum animal ou objeto de dentro das aeronaves durante o voo. Para completar, além de ser remotíssima a chance de um boi cair de um avião, você tem de ter o azar de estar na mira bovina.

Certo, mas você está falando de 2010. E depois? E DEPOIS!? Rapaz, os dados mais recentes da Abeg são de 2010 e esses números se mantiveram mais ou menos parecidos depois. Então relaxe aí.

Mas suponhamos que tal acidente bizarro ocorra e uma vaca desabe no seu colo. Eis uma boa notícia, pois você será atingido por um animal de elite.

“Este tipo de transporte é usado apenas para animais de genética superior”, diz Freire. Afinal, não é qualquer boi que pega avião.

Um adendo: a chance desse desastre estatístico-aéreo-bisonho ocorrer é um pouquinho maior com búfalos, cabras ou ovinos. Em 2010, foram exportados 480 bubalinos e 120 caprinos e ovinos pelo modal aéreo, segundo a Abeg.

Vamos acompanhar.

(crédito da imagem: cglosli)


O que aconteceria se um meteoro atingisse a Lua?

7 de maio de 2012

Fala, Oráculoogle que tudo sabe (mas não sei se tudo vê rs), beleza?
Bem, já vi muitas matérias sobre o que aconteceria se um grande meteoro atingisse a Terra, com grandes terremotos, tsunamis, destruição etc. Enfim, todo aquele apocalipse de sempre. Mas, recentemente o meteoro 2005 YU55 passou “raspando” pela Terra, a uma distância menor do que a da Lua, e me veio a questão: e se esse meteoro atingisse a LUA? O que aconteceria, hein?

Clayton Bezerra de Aguiar, Brasília, DF

Oráculoogle? O trocadilho é tão difícil que mal dá para pronunciar… E “todo aquele apocalipse de sempre”? Se você tivesse passado por um fim do mundo não falaria assim, moço. Mas vamos lá porque a pergunta é boa. Mas o resultado, bem, seria um tanto insosso.

A Lua ganharia apenas mais uma cratera em sua celulitada superfície. A cada 100 mil anos, mais ou menos, um meteoroide – astro que, ao entrar em contato com a atmosfera de um planeta, dá origem a um meteoro – choca-se com a Terra ou com a Lua. E o resultado não é nada além de uma grande depressão no solo (aka buraco).

Solicitei uma ajuda à professora Maria Elizabeth Zucolotto, pesquisadora do Museu Nacional da UFRJ,  e ela prontamente atendeu. Se o 2005 YU55 tivesse atingido a Lua, o resultado seria uma cratera de 10 a 30 quilômetros de diâmetro. Grande, claro, mas não o suficiente para causar maiores danos. Ela explica que todas as crateras da Lua são resultado de colisões com asteroides.

Quando ocorre o choque, o material, se não for atraído pela força da atração lunar, é ejetado e entra novamente em órbita. Por maior que pareça o acidente, Maria Elizabeth salienta que ainda não se tem conhecimento de algum impacto na Lua que tenha repercutido na Terra.

Ou seja, muito provavelmente o dragão de são Jorge, o Tonho da Lua e o Lucas Silva e Silva continuam lá passeando amarradões entre as crateras lunares.

(crédito da foto: Sky Noir)