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Cientistas descobrem evidências do maior terremoto da história da humanidade

O tremor de magnitude 9,5 teria ocorrido há 3,8 mil anos onde hoje é o norte do Chile – e empata, em intensidade, com outro ocorrido no país em 1960.

Por Luisa Costa
Atualizado em 6 fev 2023, 14h46 - Publicado em 19 abr 2022, 16h54

Arqueólogos encontraram evidências do maior terremoto conhecido até então na história da humanidade: um de magnitude 9,5 que ocorreu há 3,8 mil anos onde hoje é o norte do Chile. O tremor teria causado um tsunami com ondas de até 20 metros de altura, que viajou até a Nova Zelândia, do outro lado do Oceano Pacífico.

Não tem ideia do que seria um terremoto de magnitude 9,5? Uma catástrofe, com certeza. Aquele que atingiu o Japão em março de 2011, causando um tsunami e um acidente nuclear em Fukushima, tinha magnitude 9,1. Mas são casos excepcionais. Terremotos bem menores (e mais comuns) já podem causar um grande estrago – o que devastou o Haiti em 2010 tinha magnitude 6, por exemplo.

O antigo tremor de 9,5 na Escala de Richter, descoberto agora, empata com outro de mesma intensidade, também registrado no Chile (mas no sul do país, a 570 km de Santiago). Conhecido como Grande Terremoto de Valdivia, ele ocorreu em maio de 1960 e foi sentido em muitos lugares do planeta – as ondas que surgiram no oceano chegaram ao Havaí e ao Japão.

“Pensava-se que não poderia haver um evento desse tamanho no norte do país porque ali você não poderia obter uma ruptura longa o suficiente”, afirma em comunicado o professor James Goff, professor da Universidade de Southampton (Inglaterra) e autor do estudo publicado na revista Science Advances.

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“Mas agora encontramos evidências de uma ruptura com cerca de mil quilômetros de extensão na costa do deserto de Atacama.” A ruptura subterrânea causada pelo movimento das placas tectônicas que originou o terremoto de 1960 era bem menor, com 800 km.

Como os cientistas descobriram o antigo terremoto? Eles encontraram rochas, conchas e restos de animais que foram deslocados do mar para o interior do Deserto do Atacama. “Tudo isso em locais muito altos e distantes da costa, então uma tempestade não poderia ter colocado [esses elementos] lá”, explica o pesquisador.

A equipe estudou sete locais de escavação ao longo de 600 km da costa norte do Chile e, usando datação por radiocarbono, descobriu que aqueles materiais costeiros teriam sido levados para o deserto há cerca de 3,8 mil anos.

Os arqueólogos também encontraram antigas paredes de pedra construídas pelos caçadores-coletores que viviam na região e acreditam que elas foram derrubadas e arrastadas pelo tsunami.

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Imagem detalhe de uma estrutura de pedra desmoronada.
Segundo os arqueólogos, as estruturas de pedra encontradas nas escavações foram derrubadas pelo tsunami. (University of Southampton/Divulgação)

Segundo Goff, o episódio foi acompanhado por uma enorme agitação social, com o deslocamento de comunidades para o interior. “Passaram-se mais de mil anos antes que as pessoas voltassem a viver na costa novamente, o que é um período de tempo incrível, já que eles dependiam do mar por comida.”

Outras evidências estão do outro lado do Pacífico: pedras do tamanho de carros na ilha de Chatham, Nova Zelândia, que teriam sido lançadas pelas ondas a centenas de metros para o interior. Por coincidência, Goff estudava essas pedras antes de ser convidado a se juntar à equipe do estudo.

Imagem de um homem, em pé, apoiando a mão direita em uma grande rocha, perto do mar.
Pedras gigantes nas ilhas Chatham teriam sido carregadas pelo tsunami que surgiu com antigo terremoto no Chile. (University of Southampton/Divulgação)
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