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Esqueça os vulcões: chuva de silício formou crosta terrestre

Pesquisa discute a atuação de vulcões na formação da Terra primitiva, e afirma que chuvas de silício de mais de 700 ºC solidificaram a superfície terrestre

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
8 Maio 2017, 16h16

A ciência é quase unânime em relação a um capítulo da nossa história geológica: há 4,54 bilhões de anos, um planetoide do tamanho de Marte bateu com tudo na Terra. A pancada homérica transformou a superfície do planeta em um oceano de magma muito, muito quente, e os destroços que entraram em órbita se acumularam e formaram a Lua.

Com o tempo, a superfície do planeta se solidificou, e nosso satélite natural ganhou a aparência atual. Os oceanos vieram 130 milhões de anos depois disso, e com eles, a vida.

O consenso para por aí. Para os geólogos, a origem precisa do material que forma a crosta terrestre ainda é um mistério. 90% do chão em que pisamos é feito de silicatos – minérios que contém silício –, e há bons motivos para acreditar que essas rochas foram forjadas nas temperaturas altíssimas do interior de imensos vulcões.

Agora, uma dupla de pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, têm evidências de que esse silício todo na verdade não saiu do chão, mas que ele caiu do céu – em forma de uma chuva apocalíptica que faria a alegria do mais famoso vale da Califórnia. Calma que você já vai entender.

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Nos milhões de anos que se passaram até que a poeira da colisão abaixasse, a atmosfera não era nada agradável. A temperatura do ar era alta o suficiente para dissolver as rochas da superfície – “mais ou menos como o açúcar se dissolve no café”, explicou à imprensa Don Baker, um dos autores do estudo. É nessa ideia que ele baseia sua nova teoria da formação da superfície do planeta, publicada na Earth and Planetary Science Letters.

“Esses minerais subiram para a atmosfera e esfriaram. Os silicatos se separaram do resto e começaram a cair de volta no planeta, em um processo que chamamos de chuva de silício.” No laboratório, um experimento rock’n’roll recriou a previsão do tempo da época e deu bons motivos para acreditar na teoria ousada.

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Um milhão de anos após a porrada que deu à luz a Lua, a temperatura média do planeta era de 727 ºC, e a pressão atmosférica 100 vezes maior que a atual. Baker pôs pequenas porções de silicatos em pó misturados com água no interior de uma câmara que simulasse essas condições, e então fez uma análise química do vapor resultante.

Não deu outra. 90% era água, os outros 10%, um conjunto de minerais quase idêntico, na proporção de cada elemento, à composição da crosta terrestre atual. Em outras palavras, é mesmo bem provável que tanto a terra quanto o mar tenham caído do céu.

“Nós ficamos surpresos com a similaridade do silicato dissolvido produzido nos experimentos com o que é encontrado nas rochas da superfície da Terra”, afirmou Baker. Segundo ele, conhecer a química do nosso próprio planeta em seus primeiros milhões de anos de existência é essencial para entender a origem da vida – e nos ajudará, em última instância, a descobrir se outros planetas, fora do Sistema Solar, podem ou não abrigá-la.

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