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Outros países também comem batata-palha?

Sim, mas não do mesmo jeito.

Por Rafael Battaglia
18 mar 2022, 09h31 • Atualizado em 6 set 2024, 10h28
  • Nos EUA, as shoestring potatoes são o mais próximo que podemos chamar de batata-palha. Nada mais que fritas cortadas em modo julienne, aquele em que as tirinhas são mais alongadas (shoestring quer dizer “cadarço”, uma alusão ao formato). Elas podem ser feitas em casa ou encontradas no mercado, mas estão mais para um snack, e não um acompanhamento para refeições.

    Na França, as pommes pailles (“batatas-canudo”) são cortadas no modo allumette – ficam do tamanho de um palito de fósforo. Em Cuba, fritas bem fininhas, também cortadas em julienne, coroam o topo do La Frita Cubana, um hambúrguer de carne bovina e suína – bem no jeitão como devoramos cachorro-quente aqui.

    No Brasil, o saquinho que você compra no mercado foi ideia da empresa fluminense Crac, fundada em 1985 e que era uma fábrica de batatas chips. A Crac adaptou um moedor de carne para cortar as batatas no formato “palha”.

    No começo, elas eram vendidas em lojas próprias ou em carrinhos dentro de padarias de Niterói e do Rio de Janeiro. Só depois a empresa decidiu comercializar tudo em supermercados. Investiram inclusive numa extensa campanha de divulgação, que foi fundamental para enraizar o costume de comer batata-palha.

    Funcionários uniformizados distribuíam folhetos pela cidade com sugestões de receitas que incluíssem suas batatinhas: estrogonofe (que inicialmente era acompanhado de batatas sauté), fricassé, salpicão… A empresa passou a anunciar em programas de grande audiência, como os do Faustão, da Xuxa e da Hebe Camargo. Chegou a patrocinar um amistoso entre Brasil e Argentina no Maracanã. 

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    A propaganda deu tão certo que hoje, numa pesquisa rapidinha no Google, você encontra até pizza de batata-palha. Mais uma prova da estranha criatividade do brasileiro na gastronomia, que já rendeu invencionices como ovo de páscoa de coxinha, esfiha de nutella e sushi com morango e cream cheese. 

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    Fontes: Maurício Lopes, docente de gastronomia do Mackenzie.

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