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Oráculo

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Como o remédio sabe onde está doendo?

Ele não sabe. Remédios são apenas moléculas. No post, explicamos como funciona um exemplo clássico: a aspirina.

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 set 2020, 10h31 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h21
Como o remédio sabe onde está doendo? Priorizar nos meus resultados Google

Ele não sabe. Analgésicos consumidos por via oral, em forma de gotas ou comprimidos, são absorvidos pelo sistema digestório e lançados na corrente sanguínea. Ou seja: têm acesso ao corpo todo. Vamos seguir o caminho de uma molécula de ácido acetilsalicílico, a aspirina. 

Quando as células de uma região qualquer do corpo querem avisar o cérebro de que há algo errado – isto é, gerar a sensação de dor – elas usam moléculas chamadas ciclooxigenases (COX-1 e COX-2) para produzir outras moléculas chamadas prostaglandinas.

Prostaglandinas são capazes de desencadear muitas e muitas reações bioquímicas; dá para passar uma carreira estudando as danadinhas. Para os fins deste Oráculo, basta dizer que elas são uma das principais causadoras da dor.

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Não se assuste com os nomes. Ciclooxigenases são enzimas. Do mesmo jeito que uma alavanca permite que você erga um objeto pesado sem fazer muita força, uma enzima facilita a ocorrência de uma reação química no interior da célula.

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No caso, a reação que permite fabricar as prostaglandinas.

A aspirina inibe a ciclooxigenase, as prostaglandinas não são produzidas e aí seu cérebro não recebe mais a informação de que algo está doendo. Ou seja: a aspirina gosta de grudar em certas enzimas que fazem parte da cadeia de eventos responsável pela sensação de dor. 

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Esse é só um exemplo, claro. Cada remédio funciona de um jeito, e os farmacêuticos têm um conhecimento muito profundo da bioquímica do corpo humano para saber o que acontece exatamente, em escala microscópica, quando você ingere qualquer um deles. Ao longo da história, foi muito comum que primeiro se descobrisse um princípio ativo e só depois se descobrisse porque ele funciona.

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