Bruno Garattoni é editor da Super. Roda o mundo atrás das últimas novidades, mas não dispensa um passeio na Santa Ifigênia, rua preferida dos geeks em São Paulo. Em Re:Bit, ele comenta as febres do mundo tech
Comercial do Google mostra uma história de amor. Veja:
08 Fev 2010 11:21
Passou ontem nos EUA, durante o Super Bowl. É a história de um cara que vai estudar em Paris, conhece uma moça, se apaixona por ela, casa e tem um filho - tudo narrado pelas buscas que o sujeito vai fazendo no Google. Legal.
Cuidado! Novo uTorrent deixa os seus downloads mais lentos
05 Fev 2010 11:38
Se você baixa torrents, provavelmente usa o uTorrent - é o melhor programa pra baixar arquivos. Só que a nova versão dele, lançada ontem, tem uma armadilha. É a tecnologia uTP, cujo propósito é "evitar congestionamentos de rede" - ou seja, limitar a velocidade dos downloads e uploads. Segundo os criadores do uTorrent (que pertence à empresa do Bram Cohen, inventor dos torrents), isso é bom. "Com o uTP, os provedores de internet vão economizar bilhões de dólares", disse o vice-presidente da empresa. Sério, o cara realmente falou isso.
O raciocínio é simples. Tráfego de rede custa dinheiro. Se você baixa menos coisas, gera menos tráfego - e os provedores ganham. Ou seja: o criador dos torrents se vendeu aos interesses corporativos. Ok, talvez tenha precisado fazer isso pra evitar processos na Justiça. Mas que é triste, é.
Só pra ver no que dava, atualizei meu uTorrent para a versão 2.0. Não deu outra: fazer qualquer download se tornou 85% mais lento. No ato. Reinstalei a versão antiga, testei com os mesmos torrents, e tudo imediatamente voltou ao normal. Ou seja: como já se suspeitava, o treco é do mal mesmo. Então fique ligado e avise seus amigos. NÃO ATUALIZE O UTORRENT.
Se você já atualizou e não tem como voltar, ou está chegando agora e só tem acesso à versão bichada, faça o seguinte. Clique em Options, Preferences, vá em Advanced e procure o item "bt.transp_disposition". Entre nele e coloque o número 0 como valor. Isso força a desativação de uTP, fazendo os downloads voltarem ao normal. Aliás, se eles geralmente são lentos, experimente entrar no item BitTorrent e marcar a opção "Enabled" no item Protocol Encryption, ativando também o "Allow incoming legacy connections". Funciona.
E pra vcs? Os torrents tão rolando de boa? Problemas com a versão 2.0? Digam aí. Bons downloads e até 2a!
Tablet do Google é melhor que o iPad
04 Fev 2010 12:01
Agora a briga esquentou. Poucos dias após a apresentação do iPad, o Google anunciou que vai desenvolver uma versão do seu sistema operacional, o Chrome OS, especialmente para tablets. De quebra, soltou várias fotos (e um vídeo meio tosco) mostrando como ele vai ser. O tablet do Google ainda vai demorar um pouco. Mas ao que tudo indica, será melhor do que o iPad. Veja porque.
1. Ele vai rodar Flash.O Chrome OS roda sites em Flash. Portanto, o tablet do Google também. Internet de verdade, completa, com tudo o que tem direito. Nâo dá pra entender porque o Steve continua se recusando a incluir isso no iPad (e prefere ficar xingando a Adobe, criadora dona do Flash).
2. Vai ser multitarefa.O Chrome OS tem apenas um programa - o navegador. Mas é um navegador com algo a mais: a tecnologia Native Client (NaCl), que foi inventada pelo Google e permite rodar programas dentro do browser. Você poderá abrir quantas janelas quiser - cada uma com um aplicativo dentro. Multitarefa. Claro, hoje existem trocentos mil aplicativos para iPhone/iPad - e quase nenhum para NaCl. Mas quem sabe o Google não está desenvolvendo alguns?
Ou então, quem sabe, ele ignora toda essa ginástica e adota o sistema operacional Android - que já é multitarefa - no tablet? Faria todo o sentido.
3. Vai ser (um pouco) mais barato.Na configuração com chip 3G (imprescindível), o iPad sai por US$ 629. O tablet com sistema operacional do Google, que deverá ser fabricado por várias empresas -mas também pode ter uma versão 'oficial', feita pelo próprio -, deve ficar em torno de US$ 500. Isso já com 3G e outras coisas que o iPad não tem, como GPS e saída HDMI, para conectar numa tv de alta definição. O importante é: com a competição entre vários fabricantes, o preço tende a cair bastante (veja o que aconteceu com os netbooks).
4. E pode ter uma tela melhor.Qualquer empresa pode usar o Chrome OS. Por isso, é muito provável que surjam tablets rodando o sistema do Google e com novas tecnologias de tela, como Pixel Qi e Mirasol. Elas são ótimas pra ler, como o papel eletrônico. Só que têm a mesma resolução, velocidade e cores do LCD tradicional. E, principalmente no caso da Pixel Qi (pronuncia-se "pixel chi"), são baratas. Ou seja, potencialmente revolucionárias. Já no mundo Apple, é improvável que o iPad adote uma nova tecnologia de tela. Deve continuar como LCD nos próximos 2 anos.
* * *
Em suma:a intenção é clara. Tão clara que o vídeo do Chrome OS para tablets mostra até recursos de multitoque - tecnologia que o Google sempre hesitou em usar (havia um acordo informal com a Apple, que acaba de ser rompido). O iPad saiu na frente, tem a vantagem do design e dos aplicativos.
Mas a concorrência será pesada.
EUA querem acabar com o torrent - e os downloads de Lost
02 Fev 2010 11:47
Hoje à noite começa, nos EUA, a última temporada de Lost. Aexpectativa é enorme - conheço gente que vai chegar atrasada ao trabalho, amanhã, só pra poder virar a madrugada assistindo. Como sempre, o pessoal vai apelar para o BitTorrent. Mas veja só que péssima notícia.
A Federal Communications Commission, braço do governo americano que regula internet e telecomunicações, quer acabar com os torrents. Ela tem um projeto (PDF) que autoriza os provedores dos EUA a tomarem medidas para impedir "a transmissão de conteúdo ilegal" em suas redes. Isso significa, basicamente, sabotar o BitTorrent - coisa que os provedores de lá já foram pegos fazendo em 2007, e na época gerou revolta. Agora, a nova lei pode entrar em vigor já em março.
O bloqueio nos EUA não mataria o BitTorrent, claro - os usuários de outros países continuariam trocando arquivos. Mas complicaria o compartilhamento dos episódios de Lost e outras séries. Os arquivos, que são capturados da TV de lá, precisariam sair dos EUA por redes muito mais lentas e ineficientes, tipo eDonkey, para que depois alguém de outro país transformasse em torrent.
Não é difícil. Mas demora uns 2 dias. Como boa parte dos fãs de Lost tem tv a cabo, e ela vai passar os episódios com "apenas" 1 semana de defasagem em relação aos EUA... será o começo do fim para os downloads da série?
Baixe já o Google Chrome 5.0
01 Fev 2010 13:27
Sempre fui fâzaço do Firefox e inimigo do Chrome, mas de uns tempos pra cá me rendi ao navegador do Google - agora que ele tem extensões, faz praticamente tudo o que o Firefox faz. E olha que notícia legal. Acaba de sair a nova versão dele: o Google Chrome 5.0, que vem com uns recursos pra melhorar a privacidade - e, principalmente, está ainda mais rápido. É uma versão de desenvolvimento, então não reclame se der chabu. Mas pra mim não deu. Aprovado!
A farsa das televisões 3D
01 Fev 2010 11:00
Vi Avatar e fiquei vidrado. Não vejo a hora de assistir a mais filmes, e principalmente jogar games, em 3D. Mas para fazer isso, vou ter de trocar minha tv (que não tem nem um ano de uso) por uma nova, que seja compatível com a tecnologia 3D. E isso é um absurdo. Porque a tela de uma tv 3D é IDÊNTICA, em todos os aspectos, às telas atuais. A sua televisão, seja de plasma, LCD ou LED, já é compatível com a tecnologia 3D. Em tese, você não precisaria trocá-la por uma nova. Só terá de fazer isso devido a um complô uma decisão antipática da indústria de eletrônicos - que está enganando cujas consequências não foram expostas para os consumidores, nem comentadas pela imprensa especializada. É sério, gente.
COMO O 3D FUNCIONA
Para criar o efeito 3D, a televisão só precisa fazer uma coisa - exibir imagens diferentes para o seu olho esquerdo e para o seu olho direito. E ela faz isso da maneira mais simples possível: mostrando as imagens alternadamente. O tocador de Blu-ray 3D (ou videogame 3D) já manda essas imagens para a tv na sequência correta. Primeiro o 'frame' destinado ao seu olho esquerdo, depois o direito, depois o esquerdo de novo, e por aí vai - num processo que se repete a cada 1/60 de segundo. A tv só roda as imagens em sequência. E qualquer televisão que tenha 60 Hz de velocidade, o que inclui todos os modelos fabricados nos últimos três anos, é plenamente capaz de fazer isso.
A jogada está nos shutter glasses, aqueles óculos que serão vendidos junto com as televisões 3D. Eles fazem a segunda metade do trabalho. Têm lentes de cristal líquido que 'abrem' e 'fecham' alternadamente a cada 1/60 de segundo, em sincronia com o vídeo. Quando o frame esquerdo está na tela da tv, o óculos 'abre' o seu olho esquerdo (e fecha o direito). Quando é a vez do frame direito, ele abre o seu olho direito (e fecha o esquerdo). Dessa maneira, cada olho só enxerga as imagens destinadas a ele. O seu cérebro junta tudo isso e pronto: tem-se o efeito 3D.
Para que a coisa funcione direitinho, os óculos precisam ser sincronizados com o vídeo. E aí é que está o problema.
A ESPERTEZA DOS FABRICANTES
A cada 1/60 de segundo, você precisa mandar um sinal para os óculos 3D, avisando qual das lentes deverá ser aberta: a esquerda ou a direita. Os óculos têm embutido um receptor sem fio, justamente para isso. Agora vem a questão: quem vai mandar esse sinal de sincronia? Pode ser o tocador de Blu-ray 3D, ou o videogame 3D (Aliás, lembra do Master System, aquele console dos anos 80? Ele tinha jogos e óculos 3D - que eram compatíveis com qualquer televisor).
Mas sabe o que os fabricantes decidiram? Colocar o chip de sincronia dentro da tv! Você poderia comprar um player 3D, que viesse com o chip e os óculos especiais, e conectá-lo na sua tv atual. Pronto, 3D. Só que a indústria de eletrônicos se nega a vender esse produto. O "pacote" 3D, com os óculos e o chip de sincronia, custa menos de US$ 50 - o chip em si, menos de US$ 1. Seria perfeitamente possível, e bem barato, incluir isso nos novos tocadores de Blu-ray 3D (e os donos de PlayStation 3, que já está preparado, só precisariam comprar os óculos em si).
O mercado é aberto. Qualquer um pode lançar um player 3D que funcione em qualquer tv. Isso já aconteceu no passado. Mas não. Nada disso. As empresas preferem que você desperdice US$ 2000 comprando uma televisão nova. Elas sabem o que fazem.
Vídeo mostra o tablet da Apple - em 1987!
29 Jan 2010 11:14
Olha só essa. Em 1987, com Steve Jobs fora da Apple (tinha sido expulso), a empresa fez um vídeo mostrando o Knowledge Navigator: um tablet futurista, cheio de recursos incrivelmente avançados para a época, como touchscreen, internet, e-mail, videoconferência, comandos de voz - e um mordomo virtual que parece o Amaury Jr! Hahaha... Mas descontando a tosquice do vídeo (bem anos 80), era um conceito superlegal. E o mais incrível é perceber que mesmo hoje, 23 anos depois!,o iPad continua aquém dessa proposta. Custava ter incluido pelo menos uma câmera na bagaça? Miguelaram demais. Abs e até segunda!
Antes de tudo, obrigado. Graças a vcs, que vieram em peso (514 comentários!), nossa transmissão ao vivo do lançamento, ontem, foi muito legal. Precisamos fazer mais vezes. Então: vamos falar sobre o iPad?
Ok, a expectativa era quase irreal. Afinal, o que a gente queria? Que a Apple reinventasse as leis da física e aparecesse com uma tela mágica, feita de papel eletrônico colorido, dobrável, 3D, de alta resolução e além de tudo barata? É, era isso. Não tendo isso, podiam ao menos ter inovado um pouco - o iPad tem ZERO de avanço em design e tecnologia. Mas ele é um enorme passo para o mercado de tecnologia - porque, basicamente, a Apple inventou uma nova categoria de produto, que pode matar os netbooks. E isso levanta algumas questões.
1. Como e-reader, ele não presta.Por mais que você goste da Apple, não vai querer ler um livro nessa tela - um LCD comum, como o do seu computador. Cansa. E revistas, dá pra ler? Dá. Eu assino, porque é mais barato, algumas importadas em versão digital. E nos últimos meses, as maiores editoras do mundo -donas da Wired e da Time, entre outras- disseram estar desenvolvendo revistas digitais para o iPad. Mas você ouviu alguma coisa sobre isso ontem?
Não. Nada. E sabe por que? É ruim ler revistas em LCD. É difícil se concentrar a ponto de ler qualquer coisa com mais de 2 páginas. As editoras de revistas não sabiam que o iPad teria essa tela convencional, de LCD. Elas achavam, como todo mundo, que a Apple iria fazer algo revolucionário. Quando viram que não ia, pularam fora. Simples. Talvez algumas revistas até ganhem versão para iPad. Mas serão um fracasso - ou, no máximo, um sucesso beeem modesto.
O tablet da Apple não vai mudar, nem salvar, a mídia impressa. Sorry. Mesmo porque, já que você está lendo num LCD mesmo, por que preferiria acessar uma revista e não um site? O que nos leva ao próximo ponto.
2. Mas é um ótimo netbook. A tela é menor do que parece (9,7 polegadas é pouco), e não é nada fácil escrever e-mails/twits no teclado virtual - como você precisa segurar o iPad com uma das mãos, só dá para digitar 'catando milho'. Mas o iPad uma enorme vantagem sobre qualquer netbook - o sistema de navegação touchscreen e com zoom, igualzinho ao do iPhone. É muito, muito, muito melhor navegar no iPad, que roda bem rápido, do que em qualquer netbook com o (horrível) processador Atom. E a bateria também é show. Pode apostar que ela não dura 10 horas, como diz a Apple. Mas aguenta muito mais que a de qualquer netbook.
3. Só tem um problema. Você acha o Acer Aspire One, o mais fuleirinho dos netbooks, por R$ 650. Já o iPad vai chegar ao Brasil por uns R$ 1800 (1300 no contrabando). Mesmo considerando que é um produto Apple, todo estiloso, acho difícil que muita gente se disponha a pagar o dobro (ou o triplo) do preço de um netbook - por um aparelho que não é nada mais do que um. Não dá, gente. Afinal, por R$ 1800 você compra um laptop de verdade.
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Em suma: a Apple tinha que lançar o tablet. O mercado estava exigindo. Se fosse mais barato, eu teria um. Não deu pra fazer a tela de OLED? Não deu (o preço passaria de US$ 1000). Mas tudo bem. Só achei sacanagem cobrar US$ 130 a mais pelo 3G. Isso foi um chute na canela. E, pelo amor de deus, habilitem o Flash no navegador! Também não gostei de ver a Apple dizendo que o iPad é "mágico e revolucionário". Menos, Steve. Menos.
Apple Tablet - ao vivo às 16h
27 Jan 2010 09:33
Estamos de volta - e na Campus Party!
26 Jan 2010 11:05
E aí, amigos da SUPER! Como vcs perceberam, há alguns meses abandonei este blog. Não disse tchau porque não cheguei a uma decisão - todo esse tempo, fiquei pensando se deveria voltar ou parar de vez. Mas quando vi este seeensacional vídeo aí de cima, senti que estava na hora. Em homenagem à Campus Party e sua "gema digital", o Re:Bit está de volta!
Afinal, nós temos história juntos. No primeiro ano do evento, em 2008, não fui
e não gostei - e acabei sendo massacrado por isso, com direito a protestos e manifestações no evento. Ui ui ui. Em 2009, decidi fazer a coisa certa e ir até lá (vestido de coelho), e encontrei várias coisas curiosas e legais - como os índios Hã Hã Hãe, o criador da Godiva de Irajá e o maconhagate da Campus.
Não haveria momento mais propício para relançar o Re:Bit. Porque estou cheio de novidades bombásticas - vc sabia que a Apple vai se aliar à Microsoft, as televisões 3D são uma farsa e a briga entre Google e China é uma conspiração? Vem chumbo grosso por aí. Mas hoje vou dar um rolê na Campus Party e volto amanhã à tarde, com tudo sobre o tablet da Apple (é OLED ou não é?). Welcome back!