Bruno Garattoni é editor da Super. Roda o mundo atrás das últimas novidades, mas não dispensa um passeio na Santa Ifigênia, rua preferida dos geeks em São Paulo. Em Re:Bit, ele comenta as febres do mundo tech
Como vc talvez já saiba, o Pirate Bay foi vendido - uma empresa sueca chamada Global Gaming Factory (?) topou pagar US$ 7,8 milhões pelo site e assumir os rolos na Justiça. Os caras disseram que iriam legalizar o site, mas não explicaram como. Agora revelaram um plano bizarro: o novo The Pirate Bay vai dar dinheiro para os usuários! Além de afanar baixar músicas, filmes e tudo mais, vc seria pago por isso.
Como é possível?
A ideia é a seguinte. Para fazer downloads no novo site, será preciso instalar um novo software - o Peerialism, um BitTorrent com algo a mais. Graças a esse programa, os donos do Pirate Bay poderão usar parte da sua conexão (Virtua, Speedy etc) e vender a capacidade dela para empresas que estejam precisando de banda - como Twitter, CNN e Telefônica. Com o dinheiro arrecadado, eles pretendem pagar a indústria do entretenimento (tornando o Pirate Bay uma operação legal) e dar o resto do dinheiro para os usuários.
Que idéia mirabolante, né? Mas acho que tem chance de dar certo. Ou não? Você toparia doar sua conexão em troca dos downloads legalizados - ou simplesmente passaria para outros sites de torrent, como o Mininova? E a será que os nossos provedores, com suas redes já tão congestionadas, aguentariam a pressão?
Ontem eu estava dando uma olhada nas configurações do Firefox, e descobri algo estranho. Tinha lá uma Extensão, chamada "Microsoft .Net Framework Assistant", que eu não havia baixado. Ela simplesmente apareceu do nada. Fui pesquisar o assunto, e descobri algumas coisas assustadoras.
1. A Microsoft está distribuindo, desde o começo de junho, esse plug-in para o Firefox. Ele vem junto com as atualizações do Windows, e é instalado em silêncio. Você não é perguntado se quer ou não. E ele não pode ser removido do computador - pois o botão "Desinstalar" fica bloqueado.
2. O ".Net Framework Assistant" serve para que os sites, utilizando a plataforma Microsoft .Net, possam executar programas no seu computador. Não conheço nenhum site que use isso. O verdadeiro efeito é abrir brechas de segurança no navegador - principalmente considerando que o plug-in vem configurado para rodar qualquer código .Net, de qualquer site, sem avisar. Na prática, isso torna o Firefox menos seguro que o Internet Explorer.
Então vejamos. A Microsoft manda o plug-in sem avisar. Ele vem configurado de um jeito bizarro, que enfraquece a segurança do Firefox. E depois de instalado, não pode ser removido (só se você souber editar o Registro do Windows). Que beleza, não? Acho que só existe uma palavra para designar esse tipo de coisa.
O navegador Firefox 3.5, que acaba de ser liberado pra download (inclusive em português), é um upgrade e tanto - ele é até 250% mais rápido do que a versão atual. Isso mesmo: o "motor" do Firefox foi totalmente reformulado, e agora tem mais que o dobro da performance. Eu já baixei, instalei e realmente dá pra sentir a diferença - o 3.5 simplesmente voa. Só tem um porém.
Como sempre acontece nas atualizações do Firefox, muitas das extensões (aqueles plug-ins animais, que adicionam recursos sensacionais ao programa) deixam de funcionar. E vc tem que ficar esperando semanas até que sejam atualizadas. Um saco... mas tem solução. É só instalar o plug-in Nightly Tester Tools, clicar em "Override", e pronto: suas extensões voltarão magicamente a funcionar. Então aproveitem o Firefox 3.5, digam o que vcs tão achando e logo mais volto com as
10 extensões mais úteis/espertas/fodásticas que existem. Até!
Sabe o Bing, aquela ferramenta de busca que a Microsoft lançou no começo do mês? Eu andei testando e me surpreendendo - não é que o Bing mostra uns resultados relevantes? Em alguns casos, melhores que os do Google. Ou não? Agora existe uma maneira de tirar a prova. Entre no site Blind Search, digite uma busca qualquer e dê ok. Ele vai mostrar, lado a lado, os resultados gerados pelo Google, pelo Yahoo e pelo Bing, sem revelar qual é qual. Você indica, dando um clique, qual dos 3 buscadores gerou a pesquisa mais precisa e relevante - e aí o site te mostra qual é qual. Façam o teste e me digam no que deu.
Coitado. Não precisava acabar assim. A morte de Michael Jackson foi terrível, mas também trouxe uma boa lembrança: o game Moonwalker, que teve uma versão arcade e outra para o console Mega Drive, lançada em 1990. Eu joguei muito esse game. Ele pode parecer (e é) tosco para os padrões atuais, mas na época era muito legal. Tão legal que até me deu vontade de jogar de novo.
Para fazer isso, é só instalar o programa Fusion e depois baixar o arquivo do game, que vc encontra pesquisando no Google. Moonwalker teve relevância histórica: foi um dos games de lançamento do videogame de 16 bits da Sega, que começava sua arrancada contra a Nintendo. E ele também tinha, como se pode ver neste vídeo aí de cima, um quê de profético - repare como o personagem do Michael ganha 500 pontos ao encontrar cada criancinha...
A Wired é uma revista muito influente - a grande voz do mundo da tecnologia.
E seu editor, o físico Chris Anderson, um superstar: ele é o autor do best-seller Cauda Longa e viaja pelo mundo dando palestras sobre suas ideias. Anderson é um especialista na arte de fazer caô - inventar conceitos surpreendentes e depois buscar argumentos que possam sustentá-los. Às vezes, geralmente até, dá certo.
O cara escreve bem.
Mas seu novo livro, que se chama Free e está chegando às livrarias dos EUA, tem um ponto crítico: várias passagens foram simplesmente plagiadas da Wikipedia. Chris Anderson, o grande pensador do mundo digital, rendeu-se ao Ctrl+C Ctrl+V... Ele admitiu, mas disse que tudo foi apenas um problema técnico: na edição do texto, teriam esquecido de colocar as notas de rodapé com os créditos das informações. Hum... então tá. Mas que situação constrangedora, né? Ou então, considerando que Free é justamente sobre a cultura de plágio colaborativa da internet, um golpe de marketing genial?
Vcs viram? Hoje a Apple divulgou uma nota em que comemora a venda de 1 milhão de unidades do novo iPhone 3GS em apenas três dias. Mas o que importa não é isso. O que importa é o segundo parágrafo do texto: uma declaração de Steve Jobs, que se gaba do sucesso - e, pela primeira vez desde seu afastamento por doença, volta a falar oficialmente como CEO da Apple. É... parece que o suposto transplante de fígado deu certo. E a volta de Steve está confirmada. Aê!
E por falar em volta, olha eu aqui. Rolou tanta coisa neste tempo em que estive ausente, né? Uma chuva de novidades. Da Apple, que além do iPhone mostrou o próximo Mac OS X, ao Google e seu Wave, uma espécie de sucessor do Gmail. Da Microsoft, que revelou o impressionante Projeto Natal e o buscador Bing, à Palm - cujo smartphone Pre chegou arrebentando.
Foi um mês e tanto. Um mês em que parei de escrever, me passei por executivo e tentei entrar no submundo da indústria chinesa de gadgets - para descobrir como ela realmente funciona. O resultado você lê na edição de julho da SUPER, que chega às bancas esta semana. Foi por isso (e mais o fato de que eu havia escrito, quase sem folgas, 1155 posts nos últimos 1233 dias) que o Re:Bit deu uma pausa. Mas agora voltou. Sejam bem-vindos.
É isso aí, amigos. A Intel, dona do mercado mundial de chips e maior parceira da Microsoft, resolveu fazer seu próprio sistema operacional: é o Moblin, que foi criado especialmente para notebooks e netbooks (mas pode ser instalado em qualquer PC) e vem cheio de recursos inéditos. A área de trabalho, por exemplo, é inteligente: você liga o computador e ela já mostra os novos emails, compromissos e atualizações dos seus amigos em redes como o Twitter e o Facebook. E tudo isso numa interface gráfica sensacional - confira no vídeo.
O Moblin pode ser baixado e instalado de graça e já vem com os principais softwares embutidos -navegador, editor de texto, mensageiro instantãneo, mp3, etc. E como se baseia no sistema Linux, também pode ser incrementado com milhares de programas que existem na internet. Ele é rápido, leve, não pega vírus. É o lançamento mais importante dos últimos anos - e o maior rival que o Windows já teve. Isso porque a Intel dita os padrões da informática (foi ela que inventou o USB e transformou o Wi-Fi em realidade), e tem força para impor as tecnologias que quiser. Imagine o que aconteceria se ela resolvesse incluir o Moblin nos seus chips. Seria o fim da Microsoft.
Por enquanto, isso não vai acontecer - a Intel tomou certas precauções para não bater de frente com sua (ex?) aliada. O Moblin não é tão fácil de instalar quanto poderia (é preciso gravá-lo em CD e fazer algumas coisas que podem intimidar o leigo total), e sua paternidade foi transferida para a Linux Foundation - uma ong americana que cuida de software livre e será oficialmente responsável, daqui em diante, pelo desenvolvimento do software. Mas os engenheiros da Intel continuarão, sem alarde, a trabalhar nele. A coisa promete.
É... o ícone da simplicidade acaba de ser profanado: a home page do Google, cujo minimalismo inspirou a rede na última década, agora vai ter anúncios - que serão exibidos assim que você começar a digitar sua pesquisa (veja um exemplo nessa telinha aí de cima). É uma grande mudança de paradigma -enquanto os outros sites de busca foram ficando cada vez mais poluídos, o Google sempre se manteve puro-, mas até que não me incomoda tanto. E pra vcs?