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Google compra empresa de satélites por US$ 500 milhões

10 de junho de 2014


O Google anunciou a compra, por US$ 500 milhões, da Skybox Imaging: uma empresa de satélites que captura imagens da Terra em tempo real (veja exemplo acima). A Skybox pretende montar uma rede de 24 satélites que vão gerar imagens e dados para incrementar o Google Maps e o Google Earth – e também poderão levar sinal de internet a regiões remotas. Recentemente, o Google comprou a Titan Aerospace,  uma empresa que fabrica drones, e também começou a lançar uma frota de balões que funcionam como retransmissores de dados – um dos quais caiu na semana passada.


Apple lança iCloud Drive com 200 gigabytes de espaço

2 de junho de 2014

ios8
A Apple acaba de mostrar, em evento nos EUA, as novas versões de seus sistemas operacionais: o iOS 8, para smartphones e tablets, e o Mac OS X Yosemite. Não são atualizações gigantescas, mas têm algumas novidades legais. No iOS, destaque para o sistema de notificações melhorado (agora permite fazer algumas coisas, como aceitar ou rejeitar uma chamada, na própria “persiana”) e para o iCloud Drive, um serviço de armazenamento de arquivos na nuvem com muito espaço. O plano pago, de US$ 3,99 mensais, dá direito a nada menos que 200 GB. É o dobro da capacidade oferecida pelo Dropbox pago – por menos da metade do preço.


No Mac OS, a principal mudança é a interface, agora ainda mais parecida com a do iOS, e a integração entre desktop, celular e tablet. Se você estiver trabalhando no Mac e o seu iPhone tocar, não precisa pegar o aparelho – pode atender a chamada direto no computador, no qual também é possível ler e enviar SMS. Se você estiver editando um documento ou lendo um e-mail no Mac, pode enviá-lo para o iPad, e vice-versa. É o recuso Handoff, que sincroniza o conteúdo do navegador, do aplicativo de e-mail, do calendário e da suíte iLife (editores de texto, planilhas e apresentações). Interessante. O iOS 8 e o Mac OS Yosemite deverão ser lançados nos próximos meses. A atualização será gratuita (o iOS requer iPhone 4S, iPad 2 ou mais recente).


Google cria carro robótico sem volante nem pedais; veja o vídeo

28 de maio de 2014


Há vários anos que o Google desenvolve carros autônomos, capazes de dirigir a si mesmos – só nos EUA, sua frota já rodou mais de 480 mil km. Sempre com uma pessoa atrás do volante, pronta para assumir o controle caso o sistema robótico tivesse algum problema. Mas, agora, o Google resolveu dar um passo além: e criou um carro que não tem volante, acelerador, nem freio. Ou seja, um veículo 100% autônomo. É um compacto que lembra um pouco o Cinquecento, da Fiat, tem dois lugares e é movido por um motor elétrico (cuja autonomia não foi divulgada). A pessoa indica onde quer ir, usando o Google Maps, e o automóvel dirige sozinho até lá.

É apenas um protótipo, claro, sem data de lançamento nem permissão para rodar pelas ruas. Mas impressiona. E ajuda a enxergar como o futuro dos carros poderá ser.


Baseado em livro de Nick Hornby e odiado pela crítica, “Uma Longa Queda” surpreende (Filmes de Sexta)

23 de maio de 2014

(Quando não estou trabalhando, gosto muito de ir ao cinema. Vejo um monte de filmes – e pensei em comentar um a cada semana. Sempre às sextas-feiras, sempre com um filme que estiver estreando. Com vocês, Filmes de Sexta) 

- E aí, vamos ao cinema?
- Vamos! Ver o quê?
- O novo filme do Nick Hornby. Adaptação de um livro dele, na verdade.
- Parece legal, hein.
- Os atores são a mãe de “Little Miss Sunshine”, e da série “United States of Tara”, e o Jesse de “Breaking Bad”!
- Tô dentro. Sobre o que é?
- É sobre suicídio, e aí…

Nesse ponto, é provável que a outra pessoa desista de ver o filme, e deixe você falando sozinho. Se isso não acontecer, você também poderá contar a ela que “Uma Longa Queda”, que está estreando nos cinemas brasileiros, foi simplesmente massacrado pela crítica. No site Metacritic, que calcula uma nota juntando as avaliações de vários jornais e revistas, recebeu um constrangedor 27 – de 100. Mas, às vezes, quando a crítica fala muito mal de um filme, ou muito bem… Sabe quando eles dão bomba e você acaba adorando, ou quando elogiam à beça e você detesta? Já deve ter acontecido com você. Acontece comigo.

Se você acreditar nessa tese e se dispuser a ver “Uma Longa Queda”, terá uma surpresa: o filme é bom. Mais do que bom, até. OK, dá pra perceber o que irritou os críticos. Os atores oscilam bastante, há cenas de canastrice explícita. E o desenvolvimento psicológico dos personagens não acontece do jeito tradicional, com cenas profundas e impactantes – a história é contada mais pelas situações que eles vivem do que pelas emoções que eles têm. E o tom é mais de comédia, ou crônica de costumes, que de drama. Algumas dessas coisas incomodam, sim. Mas sob elas há um filme divertido, com uma história instigante.

Na noite de ano-novo, quatro pessoas sobem no telhado de um prédio. Elas não se conhecem, mas estão lá pelo mesmo motivo, pular e morrer. O filme é a adaptação de um romance escrito em 2005 pelo inglês Nick Hornby. Os personagens são um apresentador (Pierce Brosnan), uma garota de coração partido (Imogen Poots), uma mãe solteira (Toni Collette) e um cara com um segredo (Jesse, ops, Aaron Paul). Eles se conhecem, conversam, ficam amigos e desistem de se matar. Ou melhor, fazem um pacto de não-suicídio até o Dia dos Namorados.

É aí que a história começa – e começa a ficar interessante. Porque, conforme as situações vão acontecendo, você vai descobrindo que as coisas são outras. Que aquelas quatro pessoas chegaram àquele ponto, à beira do suicídio, por motivos bem diferentes do que parecia. E também porque a história é descoberta pela imprensa, e os quatro ficam famosos. Começam a ser explorados pela mídia, e a se deixar explorar por ela. Viram típicas subcelebridades de TV. Hornby constrói uma analogia genial aí. Porque o que os personagens estão fazendo, falsear a própria essência para agradar, também é uma forma de suicídio. Um suicídio que todos nós cometemos, todos os dias, pelo menos um pouquinho. Porque no filme, e cada vez mais na vida, todo mundo é meio marqueteiro de si próprio.

O ser humano é gregário, precisa do grupo como precisa de ar. Então é normal querer agradar aos outros e fazer o que for preciso para isso. Desejar ser aceito exatamente como se é, sem o menor esforço de simpatia, seria um egocentrismo idiota – e até metafisicamente impossível, porque o que somos é inevitavelmente moldado pelo contato com as outras pessoas (e também, com força igual ou maior, pela ausência ou insuficiência desse contato). Mas o ponto é que, no mundo moderno, a vontade de agradar tem ficado mais forte. Inaturalmente mais forte.

Por dois motivos. Primeiro, porque nos relacionamos cada vez mais via redes sociais, que são meios assimétricos – ou seja, onde você pode planejar o que vai dizer, lapidar a própria imagem, ser o editor de si mesmo (fenômeno sobre o qual a gente conversou recentemente). E, segundo, porque nunca comparamos tanto nossas vidas com as das outras pessoas. Nunca quisemos tanto ser como elas; e elas, como nós. O que nem sempre é o melhor caminho para ser feliz.

Essa mensagem fica muito nítida. É verdade que Hornby escreveu o livro em 2005, quando as redes não tinham a influência de hoje. Mas, às vezes, filmes e livros podem antever coisas e ganhar significados que o autor não imaginava. Quando são bons, acontece.♦

VEJA SE Você quer entretenimento com algum espírito. Gosta do Nick Hornby. Via “Breaking Bad” (o filme não tem nada a ver com a série, mas é impossível ver Aaron Paul e não lembrar de Jesse).

NÃO VEJA SE Você já leu o livro. Tem pouca tolerância à canastrice (Imogen Poots atua muito mal). Quer ver um drama. Acha que suicídio e comédia não combinam.

NOTA 7/10 O roteiro e as atuações dão umas derrapadas. Mas, se você ignorar um ou outro diálogo truncado, vai encontrar um filme superlegal, cheio de significado. E divertido também.

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Brilhante e assustador, “Sob a Pele” é impossível de esquecer (Filmes de Sexta)

16 de maio de 2014

(Quando não estou trabalhando, gosto de ir ao cinema. Vejo um monte de filmes – e pensei em comentar um a cada semana. Sempre às sextas-feiras, sempre com um filme que estiver estreando. Com vocês, Filmes de Sexta) 

Você conhece alguém num bar, na balada, numa festa, na livraria, na praia, no aplicativo. Pode ser em qualquer lugar. Parece uma pessoa legal… e bem atraente. Falam, rola um beijo, combinam de se ver uns dias depois. Você dá uma xeretada básica na internet, mas a verdade é que ainda sabe muito pouco sobre aquela pessoa. Quase nada. Mesmo assim, topa encontrá-la de novo. Entrar no carro dela, na casa dela, na vida dela. Mas o seu inconsciente soa um alerta quando a porta se abre. Como essa pessoa realmente é? Que defeitos e qualidades ela tem? O que ela quer? Será que vai dar certo? Ou vou perder meu tempo, acabar só e triste? O que vou encontrar aqui, meu deus? Se a anfitriã fosse Scarlett Johansson, e sua vida fosse “Sob a Pele”, filme que está estreando nos cinemas brasileiros, você iria encontrar a morte. Scarlett é uma alienígena com a missão de encontrar, seduzir e consumir (mais sobre isso daqui a pouco) seres humanos.

No caso, homens. Ela dirige uma van pela cidade de Glasgow, na Escócia, procurando suas vítimas. As cenas estão cheias de pessoas reais, que andavam na rua sem saber que estavam sendo filmadas pelo diretor Jonathan Glazer – que, escondido na parte de trás da van, controlava um sistema de câmeras ocultas. Isso dá ao filme uma atmosfera muito real, faz com que você se sinta dirigindo por Glasgow. Mas dirigindo como se fosse um alien. A fotografia e a edição, estranhas e lindas, o uso inteligente do som (em alguns momentos, cadenciado para mexer com a sua respiração, truque que Glazer empresta do franco-argentino Gaspar Noé) e a ausência de diálogos nos primeiros 20 minutos vão formando um clima ominoso, sinistro, intimidante – e irresistível também. É impossível ver as cenas da cidade, com as pessoas andando alheias de um lado pro outro, e não se colocar no lugar do alien. Se você fosse ele/a, qual vítima escolheria?

Essa identificação quase instantânea, e com o vilão, é algo que pouquíssimos filmes conseguem. Mérito do diretor Glazer, que começou a carreira dirigindo clipes do Radiohead e do Blur, fez dois filmes (o bom “Sexy Beast”, em 2000, e “Birth”, em 2004), e de lá pra cá só produziu comerciais – para Stella Artois, Sony e Guinness, todos autorais e legais.  E também mérito de Scarlett, que parece ter nascido para este papel: seu olhar vazio e ao mesmo tempo profundo, que fez a força de “Encontros e Desencontros”, é simplesmente perfeito aqui. O filme tem pouquíssimas falas, mas elas não fazem falta. Cenas sem diálogos são como livros, você mesmo imagina as coisas. E para um filme de suspense, isso é ótimo. Porque você fica mais envolvido – e mais tenso.

O silêncio só é quebrado quando ela escolhe uma vítima, estaciona a van e começa a jogar um papo furado. Sempre dá certo, claro. A maioria dos homens, ou pelo menos grande parte, toparia subir no carro de uma desconhecida e ir à casa dela, se ela fosse Scarlett Johansson. Qualquer um vira uma criança, atrapalhada e boba, na frente de uma mulher estonteante. Quando chegam na casa, as vítimas do filme são seduzidas e, sem entrar em detalhes-spoiler, assimiladas. É um processo visualmente muito bonito, que de início nem parece violento. Mas na medida em que o filme se desenvolve, e você vai descobrindo o que acontece, percebe que está vendo atos de ultraviolência. Uma ultraviolência alienígena, construída com uma lógica na qual o corpo, e o sangue, têm significado totalmente diferente do nosso. Há cenas muito fortes, icônicas, daquelas que ficam na memória por muito tempo – e serão comentadas durante décadas pelos críticos e fãs de cinema. Mas “Sob a Pele” não é apenas graficamente aterrador; também tem momentos em que a personagem se comporta com uma crueldade quase insuportável. Não é um filme que se veja à toa. Nem é para todo mundo.

Conforme a alien vai pegando e matando pessoas, começa a se interessar pelas coisas humanas. Tenta comer comida, vai à balada (cujas luzes piscando parecem extraterrestres para ela – e, às vezes, para muita gente também), é perseguida por uma gangue, assiste a TV, tem um ato de compaixão. Começa a desenvolver emoções. Sente confiança num humano. Se arrisca por ele. É sintomático que, quando isso acontece, as coisas virem e a predadora acabe se tornando a caça. Parece absurdo que o amor, uma necessidade tão básica quanto a comida, envolva tanto risco. Mas, se você parar pra pensar, faz todo o sentido. Não há amor sem confiança. Mas não há confiança sem exposição ao risco. Logo, não há amor sem risco. ♦

VEJA SE Você gosta mesmo de cinema – e de ser surpreendido, ou desafiado, por ele de vez em quando. Tem paciência e estômago para cenas fortes. Quer ver algo inovador.

NÃO VEJA SE Você se irrita com filmes de poucos diálogos. Gosta de roteiros elaborados, que sejam ricos em detalhes e deixem todas as coisas bem explicadas. Quer entretenimento.

NOTA 9/10 Um filme polarizador, que alguns irão amar – e outros odiar. Mas do qual é impossível não se lembrar. Tomara que Jonathan Glazer não leve mais uma década para fazer outro.

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