“Eu passei um tempo com ele quando ele ficou doente (…) Nós conversamos sobre nossas famílias, sobre tudo (…). Ele não estava melancólico. Ele me mostrou o barco que estava construindo, mesmo nós dois sabendo que ele provavelmente não o usaria.” Esses são alguns trechos da entrevista de Bill Gates ao programa americano 60 Minutes, que foi ao ar esta semana. Ao falar de Steve Jobs, Gates fica visivelmente emocionado. A entrevista também toca em outros pontos interessantes, como o mercado de tablets e a perda de poder da Microsoft nos últimos anos. Vale assistir.
Acaba de começar o Google I/O, evento anual em que a empresa mostra suas novidades. Até agora, a mais interessante é o Google Play All Access, um serviço de música por streaming que dará acesso a milhões de músicas e poderá ser acessado em dispositivos Android. Ele vai custar US$ 10 mensais, mesmo preço cobrado por seu principal rival, o Spotify. Com o lançamento, o Google sai na frente da Apple, que supostamente está preparando uma versão por streaming do iTunes. Faria sentido. O futuro não é baixar música – é ouvir direto da internet.
O Google não disse em quais países o All Access estará disponível. Mas é provável que, pelo menos no início, ele não funcione por aqui (no Brasil, a loja Google Play já oferece filmes e livros, mas músicas ainda não).
Enquanto a internet 4G começa a chegar ao Brasil, no exterior já está em desenvolvimento
o próximo sistema, que deverá se chamar 5G e foi desenvolvido pela Samsung – que diz ter alcançado a velocidade de 1.056 gigabits por segundo. Esse é o limite por transmissor, ou seja, terá de ser dividido pelos usuários conectados à cada antena da rede de telefonia celular 5G. Mesmo assim, a rede promete velocidades incrivelmente altas, de 1 Gbps por usuário.
Isso é 100 vezes mais rápido do que a média das redes 4G – e até 2.000 vezes mais rápido
do que a péssima rede 3G existente no Brasil.
A tecnologia ainda é experimental, e só deve chegar ao mercado em 2020. Mas haverá novidades antes disso. Um novo sistema, que se chama LTE Advanced e promete triplicar a velocidade do 4G, vai estrear na Coréia no segundo semestre deste ano.
A conclusão é de um estudo do governo inglês, que analisou o comportamento das pessoas na internet e relacionou com seus hábitos de consumo. Segundo a pesquisa (PDF), os 20% que mais fazem downloads piratas são também os que mais gastam dinheiro com “conteúdo” (música, cinema e TV), em média R$ 522 por trimestre. Já as demais pessoas, que baixam coisas ilegalmente de vez em quando, gastam R$ 326 nesse mesmo período. E quem não baixa nada pirata, veja só, é quem menos gasta com conteúdo: R$ 295 por trimestre.
Esses resultados não legitimam a pirataria, claro, nem podem ser transpostos diretamente à realidade brasileira. Mas sugerem que existe, sim, uma correlação positiva entre a prática de downloads ilegais e a aquisição legal de conteúdo. A pirataria ocasional parece fazer pouco efeito sobre o gasto legal -e, curiosamente, a pirataria intensa parece intensificá-lo.
Ninguém sabe porque isso acontece. Talvez o download pirata amplie o acesso à cultura – e, a partir daí, acabe fazendo com que a pessoa compre mais dela. Ou talvez a pirataria seja mais comum entre as classes de renda mais alta, que baixam mais porque têm conexões de internet mais rápidas -e adquirem mais conteúdo pago simplesmente porque seu poder aquisitivo é maior. É uma discussão interessante.
Foi em uma entrevista à emissora americana CNBC, na qual Bill falava sobre as iniciativas da Microsoft para o mercado de tablets. Depois de admitir que ele “tem sido dominado pelo iPad”, Gates atacou: “Muitos desses usuários [de iPad] são frustrados. Eles não podem digitar, não podem criar documentos, não têm Office.”
Não é bem assim (existem aplicativos de criação de conteúdo para iPad, e ele pode ser ligado a um teclado externo), mas é justo dizer que o tablet da Apple ainda não tem um pacote de escritório realmente bom – o da Apple é meio limitado, e o Google Docs funciona de forma precária, via navegador. Se a Microsoft lançasse uma versão do Office para iPad, com um preço razoável, seria o maior sucesso. Melhor fazer isso do que ficar criticando. Até porque a janela parece estar se fechando – e o Google se preparando para assumir o controle do iOS.
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Bruno Garattoni
É editor da Super. Roda o mundo atrás das últimas novidades, mas não dispensa um passeio na Santa Ifigênia, rua preferida dos geeks em São Paulo. bruno.garattoni@abril.com.br
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